Waldir Pires é velado com honrarias militares em Salvador

O ex-governador da Bahia, Waldir Pires, está sendo velado com honarias militares na manhã deste sábado, 23, no Mosteiro São Bento, em Salvador. Aberto ao público, o velório contou com a presença de políticos de diversos partidos.

O comandante da 6ª Região Militar, General Silva Alvim, esteve no velório em nome do Exército Brasileiro e prestou condolências ao ex-ministro. “Como vocês sabem, o Exército é uma instituição de Estado e o ministro Waldir Pires, enquanto exerceu a função, foi um homem de Estado. Por isso nós estmaos aqui nos solidaizando com a família.”

Último adeus

A senadora Lídice da Mata (PSB), que também esteve presente no velório, se emocionou ao dar o úlitmo adeus a Waldir. “A importância de Waldir é enorme. Vocês vão perceber o número de pessoas que vem aqui pela representação que cada uma delas vai dizer que fez parte da vida de Waldir. Tem aqui representante do bairro da Paz, da luta em defesa do petróleo, tem pessoas simples e tem políticos. Waldir representou a esperança da Bahia.”

O ex Secretário Estadual de Turismo da Bahia, Domingos Leonelli, velho conhecido de Waldir, também se despediu do ex-governador. ” O principal legado de Waldir é a serenidade, a calma, a suavidade. Eu conheço Waldir desde 1962, quando eu tinha 16 anos e trabalhei na sua campanha, e naquela época ele já representava à esquerda baiana. Ele foi sempre um representante de uma esquerda democrática.”

Mosteiro São Bento

O local escolhido para o velório tem um enorme significado para a família de Waldir.

De acordo com Francisco Waldir de Souza Filho, filho de Pires, as bodas de ouro (50 anos de casamento) dos pais, foram realizadas no mosteiro, em 2001. As missas do falecimento da mão, que ocorreu em 2005, são realizadas todos os anos no local. O ex-governador também havia comemorado seus 90 anos no local.

Quem foi Waldir Pires

Nascido em Acajutiba, em 1926, Waldir Pires chegou em Salvador aos 16 anos após ser aprovado no vestibular da Universidade Federael da Bahia para o curso de Direito.

No início da década de 1950, aos 24 anos, foi secretário de Estado no governo de Régis Pacheco. Em 1954, elegeu-se deputado estadual, formando a base de apoio do Governo Antônio Balbino. Em 1958, elegeu-se deputado federal, sendo escolhido vice-líder do Governo Juscelino Kubitschek. Em 1962 ,candidatou-se ao governo da Bahia e perdeu as eleições por uma diferença de apenas 3% dos votos para o candidato da UDN, Lomanto Júnior.

Em 1963, foi convidado pelo Presidente João Goulart para ocupar o cargo de Consultor-Geral da República. Com o golpe militar em 64, foi cassado e perseguido e viveu em exílio no Uruguai e na França. Regressou ao Brasil em 70, quando ajudou na fundação do PMDB.

No ano de 1985, assumiu o cargo de ministro da Previdência Social no governo do presidente Tancredo Neves.

Foi eleito governador da Bahia em 86 nas primeiras eleições diretas para governador após o regime militar.

Em 1990, filiado ao PDT, se elegeu deputado estadual com maior votação na Bahia. Foi eleito deputado federal em 1998 com votação expressiva.

Tentou o Senado em 2002, mas não obteve sucesso. Sem mandato eletivo, foi convidado pelo presidente Lula para o cargo de ministro-chefe da Controladoria-Geral da União (CGU). Em 2006, assumiu o Ministério da Defesa a pedido de Lula.

Em 2008, foi condecorado com o título de Cidadão Benemérito da Liberdade e da Justiça Social João Mangabeira, que é concedido a brasileiros reconhecidamente dedicados às causas nobres, humanas e sociais. Foi eleito vereador de Salvador aos 85 anos em 2012.

O ex-ministro enfrentava sérios problemas de saúde desde o final de 2017. Já debilitado, não participou da Lavagem do Bonfim deste ano. Só voltou a aparecer publicamente no dia 14 de junho, oportunidade do lançamento de sua biografia, escrita pelo correligionário Emiliano José.

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