Sem fazer alarde, Polícia Federal pediu quebra de sigilos fiscal e telefônico de Temer

A equipe da Polícia Federal que investiga se Michel Temer favoreceu empresas do setor portuário com um decreto de 2017 sugeriu, em relatório, que a quebra dos sigilos, fiscal e telefônico do presidente da República é condição necessária para elucidar os fatos apurados no inquérito.

O documento é de dezembro passado, mas a notícia de sua existência só foi divulgada pelo jornal O Globo nesta quarta (31). Segundo o jornal, a PF, para não fazer alarde, não cita o nome de Temer no pedido. Diz apenas que “para uma completa elucidação” das suspeitas, todos as “pessoas jurícias e físicas mencionadas” no inquérito devem ter os sigilos quebrados.

De acordo com a reportagem, não se sabe se o delegado do caso, Cleyber Lopes, aceitou a recomendação e enviou o pedido contra Temer ao Supremo Tribunal Federal. O inquérito tramita em segredo de Justiça.

A recomendação da equipe da PF também atinge os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, investigados por denúncias decorrentes da delação da JBS.

Procurada pelo jornal, a PF informou que não pode se manifestar sobre o caso.

“Para embasar a recomendação das quebras de sigilo, os analistas citam fatos que precisam ‘de aprofundamento’, como transações imobiliárias do coronel João Baptista Lima com offshores ligadas a envolvidos em fraudes e inconsistências nos depoimentos de Rocha] Loures e [Rodrigo] Mesquita [da empresa Rodrimar]. Lima é acusado de ter recebido propina em nome de Temer.”

O relatório também aponta para indícios de “repasses indiretos de companhias do setor [portuário] a políticos”, apesar das negativas dos envolvidos. “A análise da PF ainda trouxe novas informações sobre a relação entre os personagens investigados. Na agenda do celular do coronel Lima há o telefone de José Yunes, ex-assessor e amigo de Temer. Também há a suspeita de que Lima mantinha relação com Loures.”
O inquérito é o único em andamento contra Temer, que teve outras denúncias apresentadas pela Procuradoria Geral da República rejeitadas pela Câmara.
Temer é suspeito de ter editado um decreto presidencial que favorece empresas do setor portuário, em troca de vantagens indevidas. Rodrigo Rocha Loures teria feito interloculação com as empresas interessadas na medida. A imprensa divulgou trechos de ligações telefônicos que sugerem que o presidente tinha conhecimento do papel de Loures. A ideia da quebra de sigilo seria apurar também outros registros de telefonemas.
O delegado do caso já solicitou ao STF o compartilhamento de um inquérito antigo contra Temer, que também envolvia empresas do Porto de Santos.

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