RLAM: Shell está entre interessadas na compra de 60% da refinaria; Venda gera prejuízos para a Bahia, aponta Sindipetro

Prevista para junho, a venda de 60% da Refinaria Landulfo Alves já causa temor e incertezas para os 860 funcionários diretos que ainda resistem na empresa. De acordo com o presidente do Sindipetro-Ba, Deivdy Bacelar, a refinaria já está em um processo de venda, que deve ser oficilizada no próximo mês. “Nós estamos cientes que o processo de assinatura do contrato será feito em junho. Ainda não sabemos a empresa, já que está numa fase de apresentação de propostas. O que sabemos é que estes 60% de venda anunciados pela Petrobras significa a perda do controle acionário da refinaria, já que a Petrobras não será mais a gestora”, afirmou.

Segundo Bacelar, o projeto da Petrobras aqui na Bahia “é vender os cincos terminais da Transpetro. Se brincar, o Governo Federal vai acabar com a Petrobras aqui”. Ainda conforme o sindicalista, os valores da transação não foram divulgados. Entre as interessadas na compra da RLAM estão as gigantes Shell, Total S.A. e PetroChina.

De acordo com o projeto anunciado pela Petrobras este ano, a estatal vai ficar com 40% de participação e as empresas parceiras com o restante. O processo de venda será supervisionado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). A refinaria, segunda maior do Brasil, é responsável por 99% do refino de petróleo da Bahia.

“Se não houver uma reação da sociedade e do governo do Estado quanto à transação do Governo Federal, as perdas serão enormes. Tanto na geração de empregos, quanto a arrecadação para a Bahia”, afirmou Bacelar, que estima a perda de 25% do ICMS na arrecadação do Estado.

O presidente da Sindipetro, que é técnico de segurança da refinaria, lamenta as perdas da RLAM nos últimos dez anos. “Já tivemos um pico de 10 mil trabalhadores atuando, que foi quando houve a construção de quatro novas unidades de processamento. De lá para cá, só houve redução de investimentos”, pontuou. A RLAM já teve 10 mil funcionários terceirizados, hoje o número não ultrapassa os 1.200. Já os diretos chegam a 860, quando já somaram 1.500 trabalhadores próprios.

A Refinaria Landulpho Alves (RLAM) foi a primeira refinaria nacional de petróleo. Criada em 1950, foi impulsionada pela descoberta do petróleo na Bahia e pelo projeto de construir um Brasil independente em energia. Localizada no Recôncavo Baiano, sua operação possibilitou o desenvolvimento do primeiro complexo petroquímico planejado do país e maior complexo industrial do Hemisfério Sul, o Pólo Petroquímico de Camaçari.

A Petrobras anunciou que avalia reduzir participação no mercado de refino de petróleo, mediante parcerias e venda do controle de outras três refinarias dos blocos regionais do Nordeste e Sul, mantendo a operação no Sudeste. As parcerias incluiriam venda de participação nas refinarias Abreu e Lima, no Nordeste, e Alberto Pasqualini e Presidente Getúlio Vargas, no Sul, além de 12 terminais associados.

Paralisação dos petroleiros
Os petroleiros iniciaram à meia-noite desta quarta-feira (30), em pelo menos mais 12 estados do país, uma greve de 72 horas nas unidades da Petrobras. Em Salvador, a paralisação começou com atos em frente à sede da estatal, localizada na Avenida ACM, no bairro do Itaigara. A categoria manteve a greve, embora o Tribunal Superior do Trabalho (TST) tenha declarado o movimento como ilegal.

De acordo com o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro), também há concentração de trabalhadores na Refinaria Landulpho Alves (Rlam), no Polo Petroquímico de Camaçari; na sede da Transpetro, em Madre de Deus; e no Campo Petrolífero Miranga, em Pojuca.

Segundo Bacelar, há quatro eixos de reivindicações. São eles:

1 – Mudança da política de preços da nova gestão da Petrobras para baixar os combustíveis como diesel, gasolina e gás de cozinha;

2 – Aumento da carga das refinarias da Petrobras. “Hoje operam com carga muito reduzida. A Landulfo opera com 53% da capacidade por conta de uma decisão política que quer incentivar o processo de privatização e favorece empresas integradas de petróleo”, reforça o presidente do Sindipetro.

3 – Pelo fim das importações de derivados de petróleo. “As refinarias têm plena condição de abastecer o mercado naiconal com todos os derivados”.

4 – Luta contra a privatização do sistema Petrobras

De acordo com o Sindipetro, esta seria uma paralisação de advertência para que estes quatro eixos sejam atendidos, antes de ser deflagrada uma greve por tempo indeterminado.

Presidente da Petrobras terá que ir ao Senado explicar fechamento da Fafen na BA e SE

O presidente da Petrobras, Pedro Parente, terá que ir ao Senado explicar o fechamento de fábricas de fertilizantes nitrogenados (Fafens) na Bahia e em Sergipe.

O requerimento apresentado pela senadora baiana Lídice da Mata (PSB) foi aprovado na Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) na manhã desta quarta-feira (30).

“Não se pode negar que, além de aproximadamente mil empregos diretos envolvidos, deve-se mensurar todo o impacto econômico da medida para as economias locais e para a própria Petrobras”, argumentou a senadora em seu requerimento.

A estatal aponta prejuízo de aproximadamente R$ 200 milhões para justificar o fechamento das unidades.

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