Pauta Livre – Rogaciano Medeiros

DÁ RAIVA

Muitos cientistas políticos e juristas afirmam que a sentença de Sérgio Moro reforça Lula eleitoralmente. E tem lógica. Afinal, para o brasileiro comum, preocupado acima de tudo em sobreviver, torna-se um paradoxo inaceitável o ex-presidente, considerado o melhor que o Brasil já teve, ser condenado sem provas, enquanto outros flagrados em esquemas de corrupção como Temer, Aécio e Serra e muitos outros gozam da impunidade.

MÉRITO DE LULA

A mídia esconde, mas Sérgio Moro reconhece que Lula investiu muito em organismos de fiscalização e policiamento como a Controladoria Geral da União, a Polícia Federal e na independência do Ministério Público. “É certo que não se trata de exclusiva iniciativa presidencial, já que o enfrentamento à corrupção é uma demanda decorrente do amadurecimento das democracias, mas o mérito da liderança política não pode ser ignorado”, escreve o juiz na sentença condenatória.

BEM REVELADOR

Ao interpretar fatos políticos, o frei dominicano e escritor Frei Betto é sempre brilhante. Ao comentar a condenação de Lula por Sérgio Moro, disse que a sentença “revela mais quem é o juiz do que quem é o ex-presidente”. Na veia.

NO FIM

“Assim caminha o Estado de direito no Brasil. Um juiz medíocre, com uma sentença medíocre feita com base na dedução ou em direito comparado, ignorando a jurisprudência do país. Mas em tempo não dá para deixar de notar a mudança de atitude de Moro e da Lava Jato. Ele tenta se defender da acusação de parcialidade, ataca o juízo, não decreta a prisão preventiva, que ele deixa para a instância superior. Os dias de Moro como herói parecem estar no fim”. É a opinião do cientista político Leonardo Avritzer.

PELO MUNDO

A condenação de Lula continua a repercutir em todo o mundo. O argentino Adolfo Perez Esquivel, Prêmio Nobel da Paz, considerou um “golpe” do que chamou de “partido judicial”. Na opinião do escultor e ativista dos direitos humanos, a decisão do juiz Sérgio Moro representa um atentado à democracia brasileira. A ONU deve antecipar o julgamento da denúncia de perseguição política feita pela defesa do ex-presidente.

SÓ O POVO

As aprovações do congelamento dos investimentos públicos nas áreas sociais, da terceirização e agora da reforma trabalhista demonstram que, por fatores sociológicos e políticos dos mais diversos, ainda não foi possível sensibilizar e mobilizar as massas. Ainda não há no Brasil, e os movimentos sociais têm feito de tudo, uma revolta popular grandiosa ao ponto de conter e muito menos derrotar o projeto neoliberal. Esse é o desafio que se coloca para as forças progressistas, em caráter de urgência urgentíssima. Para, pelo menos, tentar salvar a aposentadoria do povo.

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