O privilégio de ser Voluntário – Por Jamile Calheiros

28 de agosto comemora-se, no Brasil, o dia do voluntariado. A data foi escolhida no ano de 1985 (Lei nº 7.352/1985) para reconhecer e ressaltar as pessoas que dedicam de forma espontânea uma parte do seu tempo, do seu talento, da sua capacidade e do seu trabalho com causas de interesse social em prol de uma comunidade.

Mas o que é ser voluntário? É resgatar a essência da solidariedade humana na busca de soluções para os problemas sociais. O dia 28 de agosto deveria ser uma data muito comemorada e exaltada, mas no Brasil, infelizmente, não temos essa cultura. Se doar ao outro ou a uma causa, sem esperar nada em troca, é um dos exercícios de caridade mais nobres que existem e que ainda não é plenamente exercido pelo brasileiro.

Entretanto, com o passar do tempo, o que se percebe é que essa realidade vem mudando. Pode ser por influência de outros países e instituições que pregam a incessante busca e apelo ao gênero humano através de instituições como a Cruz Vermelha e Médicos Sem Fronteiras, pode ser pelo próprio apelo social em que “ser chique é ser solidário” ou mesmo por conta das grandes empresas que avaliam melhor um candidato se ele for efetivamente um voluntário em uma causa social. Não importa qual seja o motivo, a solidariedade é um caráter ou uma condição humana que “está na moda” e a sociedade deve se aproveitar disso em benefício próprio.

O povo brasileiro é conhecido como um povo hospitaleiro e simpático, mas tais características não são decisivas para que ele efetive a solidariedade ao ponto de tornar-se um voluntário. Na pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha encomendada pela Fundação Itaú Social (2014), mostrou que apenas 28% das pessoas participaram de algum trabalho voluntário e que só 11% continuam atuando no voluntariado. O que se conclui é que o Brasil está abaixo da média mundial (37%). Vários são os fatores para o brasileiro não se candidatar como voluntário, entre eles estão a “falta de tempo”, maior percentual seguido por “nunca foram convidados” e “nunca pensaram na possibilidade,”.

Atualmente o trabalho voluntário é regido por uma legislação federal, a Lei nº 9.608 de 18 de fevereiro de 1998. A lei mencionada preocupa-se apenas em distinguir o trabalho voluntário do trabalho assalariado. Ser voluntário é ir muito além da previsão de uma lei ou regra de determinada instituição, deve ser guiada pela satisfação do voluntário, já que o voluntariado gera realização pessoal e bem estar interior que se origina do prazer de servir a quem precisa. Ser voluntário é se alicerçar na importância de sentir-se socialmente útil. Que em 2018 possamos comemorar com o aumento de brasileiros voluntários engajados na sociedade que queremos.

Jamile Calheiros , é advogada e Internaconalista.

Especialista em Direito Público pela Unibahia e Política e Planejamento Estratégico pela Escola Superior de Guerra/ UNEB.

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