‘Não sou homem de correr de briga’, diz Lula sobre tiros em ônibus

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em seu Facebook que “não é homem de correr da briga” e que os tiros disparados contra sua caravana não o intimidam. Nesta terça-feira (27), atiradores alvejaram dois dos três ônibus do comboio do petista na estrada entre Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no interior do Paraná. Ninguém ficou ferido.

“O que estamos vendo agora não é política. Porque se quisessem derrotar o PT seria muito fácil. Lança candidato, vão para a urna, quem ganhar toma posse e quem perder vai chorar, como eu chorei quando perdi as eleições em 89, 94 e 98”, declarou Lula em vídeo no seu Facebook.

Quem disparou contra a caravana petista ainda não foi identificado. A Polícia do Paraná informou que investiga o caso e confirma que um ônibus foi atingido. Este ônibus levava jornalistas de blogs e sites independentes, que fazem a comunicação da caravana, e repórteres estrangeiros.

“Se eles acham que fazendo isso vai nos assustar, não vai”, disse o ex-presidente. “Isso vai motivar a gente a fazer muito mais coisa, porque nós não podemos permitir que depois do nazismo e do fascismo a gente permita grupos de fanáticos nesse país.” “É inadmissível, ainda mais atacar um ônibus que tem a imprensa. Se fosse eu até ficariam felizes porque não querem que eu dispute as eleições, mas o que é que a imprensa tem com isso?”, perguntou.

Lula lançou um desafio. “Se querem brigar comigo, vamos brigar. Eu gosto da briga, eu não sou um homem de correr da briga. Mas vamos respeitar a democracia nesse país. Democracia pressupõe a convivência na adversidade. Cada um faz a opção que quiser”, finalizou o ex-presidente.

 

Pré-candidatos à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB), Henrique Meirelles (PSD), Manuela d´Avila (PCdoB), Marina Silva (Rede) e Guilherme Boulos (PSOL) condenaram nesta quarta-feira, 28, em suas contas no Twitter, os ataques feitos contra a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo sul do País. Na terça-feira, 27, dois ônibus que levavam parte da equipe do petista foram atingidos por tiros no Paraná. Ninguém se feriu.

Para Alckmin, “toda forma de violência deve ser condenada”. De acordo com o governador paulista, é papel das autoridades apurar e punir os tiros contra a caravana do PT. “E é papel de homens públicos pregar a paz e a união entre os brasileiros. O País está cansado de divisão e da convocação ao conflito”, escreveu. Na noite desta terça, no entanto, o tucano havia adotado um discurso menos conciliatório, e até mesmo surpreendente, ao declarar à Folha de S.Paulo que o “PT estava colhendo o que plantou”.

A postura de Alckmin em relação ao futuro de Lula tem sido de cautela. De olho nos votos do PT, no caso de o ex-presidente ser impedido pela Justiça Eleitoral de disputar a eleição, o tucano tem evitado fazer ataques a Lula ou mesmo ao seu partido. Até mesmo sua posição em relação à prisão em segunda instância foi tornada pública apenas nesta terça. “Eu sou favorável a manter (o entendimento atual) porque, se não mantiver, vai transformar praticamente os tribunais regionais em tribunais de passagem para depois lá na frente ter uma decisão final.”

Segundo o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em um democracia as divergências políticas devem ser resolvidas nas eleições, atrás do debate e do respeito ao resultado eleitoral. “O que aconteceu ontem no Paraná foi um atentado contra a liberdade de expressão de um líder político e isso é inadmissível numa democracia”, disse.

Marina Silva afirmou que repudia veementemente os tiros disparados contra a caravana do ex-presidente. “O uso da violência com motivações políticas é uma afronta ao regime democrático”, disse. “Devemos lutar pelo direito a livre manifestação e pelo respeito às instituições da Justiça, que são preceitos constitucionais e alicerces fundamentais da nossa democracia”, completou.

Presidenciáveis condenam ataques à caravana de Lula

Pré-candidata pelo PCdoB, Manuela d’Avila afirmou que estará com Lula nesta quarta-feira em Curitiba. “Transformemos o ato da caravana de Lula de hoje, em Curitiba, num grande ato de resistência ao fascismo e ao ódio. De reafirmação do compromisso com a democracia”, afirmou. Presidenciável pelo PSOL, Guilherme Boulos também é esperado na capital paranaense.

“Os fascistas ultrapassaram qualquer limite. Toda solidariedade a Lula contra as agressões. É momento de unidade democrática e de resistência ativa. Com fascismo não se brinca”, afirmou Boulos, que considerou a declaração de Alckmin (PT colhe o que planta) como “um aplauso ao fascismo.”

A preocupação com a segurança do ex-presidente será pauta de uma reunião na manhã desta quarta entre congressistas do PT e o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, que classificou o episódio no Paraná como “inaceitável”. A Polícia Civil do Paraná instaurou inquérito policial para investigar o ataque. Já a PM paranaense afirmou que reforçará o policiamento.

Nesta quarta-feira, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), também pré-candidato à Presidência, e o Movimento Brasil Livre (MBL) participam de atos em Curitiba, onde está a caravana de Lula.

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