Na abertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa, Jerônimo apresenta balanço do governo

A abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA), realizada na manhã desta terça-feira (3), marcou oficialmente a instalação da quarta Sessão Legislativa da 20ª Legislatura e foi pautada por um discurso de balanço administrativo, projeção de investimentos e leitura do cenário político estadual. Durante a sessão solene, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) apresentou a tradicional mensagem anual ao Parlamento, destacando avanços no desenvolvimento social, crescimento econômico, expansão da educação pública e a presença do Estado em todos os territórios da Bahia.

A cerimônia ocorreu no Plenário Orlando Spínola e foi conduzida pela presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Ivana Bastos (PSD), primeira mulher a presidir a Casa em 190 anos de história. Na abertura, Ivana prestou homenagem ao deputado estadual Alan Sanches (União Brasil), falecido em 17 de janeiro, destacando sua atuação parlamentar e trajetória política.

Educação como eixo central do desenvolvimento
Um dos principais eixos do discurso de Jerônimo Rodrigues (PT) foi a educação pública, tratada pelo governador como estratégica para o desenvolvimento econômico e social do estado. Segundo ele, os investimentos no setor já somam R$ 10 bilhões desde 2023, aplicados em obras de construção, ampliação e reforma de unidades escolares em praticamente todos os 417 municípios baianos.

Durante a fala, Jerônimo destacou a expansão da educação em tempo integral, que atualmente alcança quase 750 escolas distribuídas em 394 municípios, consolidando a Bahia como a maior rede pública dessa modalidade no Brasil. O avanço representa um crescimento de cerca de 150% na cobertura, beneficiando mais 171 mil adolescentes e jovens.

“Estamos fazendo uma revolução na infraestrutura física das nossas escolas, que não tem par com qualquer outro momento da história da educação na Bahia”, afirmou o governador, ressaltando que a ampliação ganhou ainda mais ritmo a partir de sua gestão.

Além da infraestrutura, o governador destacou cerca de R$ 5 bilhões investidos em programas voltados à qualidade do ensino, permanência estudantil e garantia de direitos dos alunos, reforçando a aproximação do Governo do Estado com estudantes, professores e gestores educacionais em todos os territórios.

Presença do Estado e escuta ativa nos territórios
Jerônimo Rodrigues também enfatizou a estratégia de interiorização do governo e a presença direta do Executivo estadual nos municípios. Segundo ele, já foram visitados 373 municípios, com a meta de alcançar os 417 até o fim do ano.

“Visitei 373 municípios e pretendo alcançar todos os 417 até o final do ano”, afirmou o petista.

Para o governador, as viagens não se resumem a compromissos institucionais. “São expedições de escuta ativa, de diagnóstico preciso e de celebração compartilhada das conquistas”, disse, ao mencionar visitas a zonas rurais, distritos, comunidades quilombolas, aldeias indígenas e povoados.

Avanços sociais e combate à fome
No campo social, o governador apresentou avanços no fortalecimento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com ampliação dos repasses estaduais aos municípios para manutenção dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS). Jerônimo também citou programas estruturantes como Bahia Sem Fome, Coletivos Bahia pela Paz, Corra pro Abraçoe o Minha Casa Minha Vida, que viabilizou mais de 3 mil unidades habitacionais entre 2023 e 2025.

No enfrentamento à insegurança alimentar, o governador afirmou que “a Bahia está virando esse jogo”, destacando a redução de 58% da insegurança alimentar grave no estado, em articulação com o Governo Federal. O resultado contribuiu para a saída do Brasil do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU).

Crescimento econômico e obras estruturantes
O chefe do Executivo baiano também ressaltou o desempenho econômico do Estado. Segundo o petista, a Bahia liderou o ranking nacional de investimentos públicos em 2025, gerou mais de 104 mil empregos formais no ano e mantém cerca de 2,24 milhões de vínculos ativos.

Jerônimo destacou ainda os avanços na transição energética, a atração de grandes empreendimentos e a execução de obras estruturantes, como a nova Rodoviária de Salvador, o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e a expansão do sistema metroviário. Outro destaque foi o projeto da Ponte Salvador–Itaparica, que ainda não saiu do papel, mas segundo ele, terá o projeto executivo concluído em março de 2026, com previsão de início das obras em junho deste ano.

Ainda no discurso, ele também citou investimentos em drenagem, pavimentação urbana, praças públicas e habitação no Estado.

Ritual solene e impacto eleitoral
A sessão solene seguiu o protocolo tradicional, com formação de Guarda de Honra, desfile da Polícia Militar da Bahia (PM-BA) e condução do governador ao plenário por uma comissão suprapartidária. Além da prestação de contas, o ato marca o início formal de um ano legislativo fortemente influenciado pelo calendário eleitoral de 2026.

Nova composição da Assembleia e rearranjos políticos
Após o recesso parlamentar, a AL-BA inicia os trabalhos com mudança em sua composição devido à morte do deputado Alan Sanches (União Brasil). O primeiro suplente da legenda, Luciano Ribeiro (União Brasil), tomou posse no último dia 22, em ato conduzido pela presidente Ivana Bastos (PSD).

A ausência de Alan Sanches também impacta a disputa por vagas na Câmara dos Deputados, em Brasília. Considerado um nome competitivo para o pleito federal, sua saída abre espaço para novos postulantes, incluindo seu filho, o vereador Duda Sanches (União Brasil).

Pressão eleitoral e avanço de ex-prefeitos
O cenário para as eleições de 2026 é de forte pressão sobre os deputados estaduais. Dos 63 parlamentares da AL-BA, 52 devem tentar a reeleição, enquanto seis pretendem disputar vagas federais. Nos bastidores, a disputa estadual é vista como mais difícil devido ao avanço de ex-prefeitos que deixaram os cargos com alta aprovação.

Entre os movimentos já sinalizados estão substituições familiares, como nos casos das deputadas Soane Galvão (PSB) e Kátia Oliveira (MDB), que devem ser sucedidas por seus maridos, os ex-prefeitos Marão, de Ilhéus, e Dinha, de Simões Filho. O deputado Vítor Bonfim (PDT) avalia que parlamentares estão perdendo bases eleitorais para ex-prefeitos populares.

Também há baixas confirmadas: Nelson Leal (PSL) e Maria Del Carmen (PT) não disputarão novo mandato, enquanto Binho Galinha (PRD) está impedido por estar preso.

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