Lúcio Vieira Lima diz que espera ser inocentando no Conselho de Ética e que disputará reeleição

Único parlamentar pelo MDB no Congresso Nacional, o deputado federal Lúcio Vieira Lima conversou sobre as tratativas que vêm sendo feitas para composição da chapa de João Santana, pré-candidato ao governo da Bahia pela sigla. Lúcio acredita que o partido pode chegar ao 2º turno e defende conversas com políticos como Lídice da Mata (PSB) e Irmão Lázaro (PSC), que almejam disputar uma vaga no Senado Federal. O deputado, que sofre processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados que pode custar seu mandato, afirma acompanhar de perto os trabalhos do colegiado, para evitar uma interferência indevida, e espera ser inocentado.

Como o senhor avalia o cenário da oposição na disputa pelo governo da Bahia?

Eu vou discordar de você e dizer que a oposição não tem candidato. O MDB tem candidato, o Democrata tem candidato, não vamos trocar o “de” pelo “da”. O MDB tem uma candidatura “de” oposição, que não é “da” oposição. Da mesma forma que o DEM  tem uma candidatura “de” oposição. Devem ter outras chapas de oposição que podem surgir, vamos caminhando para ver se, com esperança, com os debates, com a propaganda, com as viagens de João Santana, ele seja o candidato de oposição que vai para o 2º turno. E aí, sim,  poderemos fazer uma candidatura “da” oposição, mas só no 2º turno.

No 1º turno não há possibilidade de juntar o MDB ao DEM?

Não tem, porque nós temos hoje candidato a presidente [da República], precisamos de um palanque. Nós temos hoje a importância do voto proporcional. Aqui em Brasília [a entrevista foi concedida no café do Plenário da Câmara dos Deputados, em Brasília] nós temos que chegar com uma bancada, que define tempo de TV, recurso de fundo eleitoral. Os partidos estão visando mais às eleições dos parlamentares do que às de governador.

Como está a composição da chapa do MDB? O partido tentou aproximação com a senadora Lídice da Mata (PSB)…

Lídice da Mata já foi candidata nossa à prefeitura de Salvador. Nós indicamos o vice e ela foi nossa candidata. Fizemos uma belíssima campanha, ela teve uma belíssima votação e, a partir daí, ela retomou e foi ser senadora.  Lídice da Mata é um quadro competentíssimo, tem inúmeras qualidades da política, da mesma forma que o Irmão Lázaro (PSC) também tem grandes qualidades. Quando é que se falava na Bahia de candidatura independente para o Senado? Não existia, o candidato a governador sempre puxava o senador, e hoje há possibilidade de candidaturas avulsas terem sucesso. Então, o pré-candidato a governador João Santana ligou para Lídice colocando o MDB à disposição, quer seja para que ela fizesse parte da nossa chapa, ou até se ela for para uma candidatura avulsa ter também o nosso apoio. Não pela política, mas pelo quadro que ela representa, pela qualidade que ela deu ao Senado, por ser uma mulher competente.

Esse apoio do MDB à senadora Lídice continua se o PSB decidir lançá-la em uma chapa avulsa ao Senado Federal?

Com toda certeza. Volto a dizer, pelo bem da Bahia. Como é também Irmão Lázaro, e outras candidaturas avulsas que vierem serão examinadas. Logicamente, preferiríamos ela na nossa chapa, porque qualificaria ainda mais a chapa e aumentaria em muito a chance de vitória de João Santana.

Irmão Lázaro também não está confirmado como candidato ao Senado na chapa do Democratas. O MDB também tem conversado com ele?

Perfeitamente. Estamos conversando muito. O PMDB, o próprio nome já diz, é o partido do movimento democrático brasileiro. Tira o “P”, mas continua democrático. É um partido plural e todos os demais partidos foram originários do PMDB. Portanto, a gente respeita as diferenças e não teria problema Irmão Lázaro ou a própria Lídice virem a ser candidatos pelo PMDB. Nós respeitaríamos as diferenças, eles fariam discursos deles, sem nenhum tipo de problema.

O senhor avalia que o MDB  conseguirá emplacar a candidatura de João Santana?

O PMDB sempre é forte, pela história que tem, pelo conjunto da obra. Não adianta vir dizer que o PMDB está desgastado. Todos os partidos estão desgastados. Se fosse pelos partidos políticos, ninguém poderia ser candidato, porque não tem um que não esteja desgastado. Mas o PMDB tem uma história, é o partido da redemocratização, das Diretas Já, sempre um partido de vanguarda, e isso está na cabeça do povo. Você não pode julgar os partidos políticos por acontecimentos isolados, então, por isso que eu confio.

O senhor acredita que o MDB vai ao 2º turno na Bahia?

Tanto acho que vai que colocamos uma candidatura. Agora, a eleição quem vai decidir são as urnas. Essa é uma eleição totalmente atípica, diferente, que ninguém sabe como vai ser. Você tem a questão dos recursos, que agora é via fundo partidário. Você tem as questões desses desgastes do partido, a insatisfação da população. Então, logicamente, vai depender de quem tenha maior competência para resgatar a confiança da população, e eu espero que o PMDB, com sua história, tenha essa competência e que nós cheguemos ao 2º turno.

O senhor está acompanhando o processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados?

Não, eu não tenho o que acompanhar. O Conselho de Ética tem toda competência e seriedade para fazer o trabalho dele. Eu não fui ao conselho, não conversei com parlamentares nem com o relator, porque eles têm que ficar sem nenhum tipo de pressão, nem da minha parte nem do meu partido, como também sem pressões externas, para que tome a decisão mais acertada, que, espero, será pela minha inocência.

O senhor pretende fazer sua defesa pessoalmente no conselho ou prefere deixar a cargo do seu advogado?

Veja bem, eu não posso falar sobre uma coisa que não ocorreu ainda, senão estaria me envolvendo no Conselho de Ética. Se me convidarem, se acharem bom que eu vá, não terá problema nenhum.

O senhor prefere que o processo ande rápido?

Está parecendo que você é delegada, fica dando volta na mesma pergunta. Eu não tenho que preferir nada. Quem tem que preferir é o Conselho de Ética, eu tenho que acatar o que ele preferir. É aquela história de dançar conforme a música. Quem toca a música é Conselho de Ética. Eu sou apenas, nesse caso, um dançarino, um bailarino.

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