Inema e Embasa retêm água da Barragem de Pedra do Cavalo

Moradores das cidades que margeiam o lago da Barragem de Pedra do Cavalo, localizada entre os municípios de Cachoeira e São Félix, vivem apreensivos com a falta de informações por parte dos agentes que controlam a barragem e a usina instalada na unidade. Para buscar respostas e informar corretamente à população a equipe do Recôncavo Online entrou em contato com todos os agentes envolvidos; Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia-INEMA, a EMBASA e a detentora do contrato de concessão da usina administrada pelo grupo Votorantim Energia.

De acordo com o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, responsável pelo controle do fluxo de água da barragem a capacidade de armazenamento da Pedra do Cavalo ainda está longe chegar ao seu limite. Nessa quinta-feira (14) a barragem registrava uma cota de 118,25 metros de altura, o que quase equivale a um prédio de 50 andares. A capacidade máxima da represa é de 124 metros.

De acordo com o diretor de recursos hídricos e monitoramento ambiental do Inema, Eduardo Topázio, a barragem está sendo monitorada diariamente e não oferece nenhum risco para a população. “Eu acompanho a história da Pedra do Cavalo desde 1970. Estamos com total segurança e controle da situação. O problema é que nos últimos anos com o volume de água baixo pessoas se acostumaram a ver o lago da barragem mais seco. Houve ocupação de áreas próximas a margem do rio, que pertence a uma Área de Proteção Ambiental-APA e agora com as chuvas o lago voltou a ocupar seu espaço”, afirmou Topázio.

Os agentes
A barragem de Pedra do Cavalo, equipamento público, é administrada por três agentes; O Inema controla a vazão e fluxo de água desde a cabeceira do rio, na Chapada Diamantina. A EMBASA maior beneficiada, que abastece e vende água do rio Paraguaçu para os municípios de Cachoeira, São Félix, além de Feira de Santana e grande parte de Salvador. E a Votorantim Energia com a geração de energia na Usina de Pedra do Cavalo.

Causas e Consequências
Segundo informações do Inema o acúmulo de água foi solicitado pela Embasa que restringiu em 30% da liberação de água para garantir abastecimento para Salvador e Feira de Santana. Procurada pela nossa equipe a Embasa se eximiu sobre quaisquer responsabilidade na administração da barragem e afirmou ser “apenas usuária” da água do reservatório. “A operação da barragem de Pedra do Cavalo é de responsabilidade da Votorantim e a gestão do uso da água do reservatório é feita pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). A Embasa é apenas usuária da água do reservatório e não responde sobre a gestão do funcionamento do mesmo”, disse a nota da Embasa.
Nesse jogo de empurra entre os agentes que mandam na barragem e faturam milhões com a venda de água e energia o maior prejudicado é a população que vive há anos no entrono do rio Paraguaçu. Pescadores que alimentavam suas famílias com espécies variadas, marisqueiras que catam sururu para vender na feira e pequenos agricultores que cultivavam frutas e verduras para abastecer os moradores de todo recôncavo. A barragem de Pedra do Cavalo foi idealizada em 1985 para solucionar problemas estruturantes como as enchentes que causaram prejuízos históricos nas cidades de Cachoeira, São Félix e Maragojipe. No entanto, hoje Pedra do Cavalo atende interesses que vão além da vida e do cotidiano dos moradores do recôncavo baiano.

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