Dois de Julho: Saiba onde estão restos mortais das três mulheres ícones da luta pela independência do Brasil na Bahia

A participação de mulheres na luta pela Independência do Brasil na Bahia, em 1823, deu destaque a três ícones femininos nas lutas para vencer as tropas portuguesas: Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica. Hoje, quase 200 anos depois, você sabe onde estão os restos mortais delas?

Conhecida por lutar vestida de homem para ajudar o exército a expulsar as tropas portuguesas da Bahia, Maria Quitéria é um dos destaques na história de lutas. Ela conseguiu sair de casa escondida do pai viúvo e usando a farda que pegou do cunhado.

Por seu ato de bravura e ousadia, ficou conhecida como “soldado Medeiros” e se tornou um dos ícones da Independência do Brasil na Bahia.

Seus restos mortais estão sepultados no ossário da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento e Sant’Ana, no bairro de Nazaré, em Salvador. A igreja, construída em estilo neoclássico no século XVIII, passou por uma reforma, entre os anos de 2007 e 2017, e o local pode ser visitado das 8h às 12h e das 14h à 17h.
Outra lutadora, baiana, negra, natural da Ilha de Itaparica, Maria Felipa comandou cerca de 40 mulheres na luta pela independência do Brasil na Bahia. Segundo relatos históricos, o grupo liderado por ela foi responsável por queimar 42 embarcações portuguesas.

Há também o episódio lendário da surra de cansanção (vegetal que provoca urtiga e sensação de queimadura ao toque com a pele) que Maria Felipa teria dado em homens portugueses. Pouco conhecida e reconhecida na história oficial, Maria Felipa também é destaque nas lutas pela independência do Brasil na Bahia.

Sobre ela, o historiador Eduardo Borges diz que tudo ainda é muito “nebuloso”, por conta das poucas informações concretas de que se tem notícia. Há, no entanto, relato de que seus restos mortais estejam na Igreja do São Lourenço, na Ilha de Itaparica. Ela morreu no dia 4 de julho de 1873.

“Não existe muita documentação em relação à vida dela. Tudo é na base do talvez sim e talvez não. Mas a informação que se tem, o mas próximo de uma verdade, é que ela esteja na Matriz de São Lourenço. Na época, a ilha era conhecida como ‘Povoação de Ponta das Baleias’, por conta da pesca. E tinha essa igreja e, possivelmente, é lá mesmo que ela deve estar enterrada”, destaca.

Já Joana Angélica, mártir na luta pela independência do Brasil na Bahia e que se destacou pela bravura e coragem ao enfrentar tropas portuguesas dispostas a invadir o Convento da Lapa, localizado no centro da cidade de Salvador, foi enterrada no mesmo local que tentou proteger. O Convento foi construído em 1744 e o local também pode ser visitado.

Soteropolitana, Joana Angélica de Jesus nasceu em Salvador no ano de 1761 e morreu em 1822, assassinada por tropas portuguesas.
As batalhas pela independência do Brasil na Bahia duraram um ano e sete dias, entre 25 de junho de 1822 e 2 de julho de 1823. As mulheres desempenharam um papel importante no processo, e muitas se destacaram nas batalhas e na ajuda aos soldados brasileiros.

Segundo o historiador Eduardo Borges, não há uma documentação muito farta sobre Maria Felipa, mas ela possui muita importância na luta pela independência. Há registros de que ela liderou cerca de 200 pessoas, sendo a maioria mulheres — também haviam negros e índios tupinambás.
A freira Joana Angélica, por sua vez, se destacou pela coragem ao enfrentar os portugueses.

Ao completar 21 anos, a jovem entrou para o Convento da Lapa e, em 1815, tornou-se abadessa, cargo religioso concedido à superiora de um mosteiro de religiosas. Em 19 de fevereiro de 1822, meses antes do grito do Ipiranga pela independência do Brasil, a tensão entre portugueses e baianos aumentou após o ataque ao Forte de São Pedro, onde estavam alojados os combatentes soteropolitanos.

Nessa mesma data, tropas portuguesas seguiram em direção ao Convento da Lapa em busca de combatentes baianos e encontram a resistência de Joana Angélica, que se coloca à frente do Convento para tentar impedir a invasão. Apesar do ato de bravura, ela foi assassinada pelos portugueses, que entram no templo religioso após o assassinato da religiosa.

G1 Bahia

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