Corpo de líder do MST, assassinado na frente do filho, será sepultado nesta sexta

Familiares, amigos e colegas de militância participam, nesta sexta-feira, 26, às 10h, no cemitério Parque da Cidade, em Vitória da Conquista, do sepultamento do corpo de Márcio Oliveira Matos, 33 anos.

Ele foi morto a tiros na noite da última quarta-feira, na presença do filho de 6 anos, na casa da família que fica no assentamento Boa Sorte Una, zona rural de Iramaia (a 328 km de Salvador).

O assassinato é investigado pela Polícia Civil e, de acordo com o coordenador da 9ª Coorpin, de Jequié, delegado Fabiano Aurich, já foram ouvidos os funcionários da fazenda. Entretanto, a polícia ainda não havia identificado autores e a motivação para o crime.

Algumas horas antes de morrer, ele postou mensagens nas redes sociais, após a condenação do ex-presidente Lula, conclamando seus companheiros a continuar acreditando nos ideais do partido. “Vamos lutar em defesa da democracia em todas as instâncias, na Justiça e, principalmente, nas ruas”, registrou.

A morte do ex-dirigente nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), militante do Partido dos Trabalhadores e secretário de Administração de Itaetê causou grande comoção, não só na região, mas em todo estado e no Brasil.

Em nota divulgada pelas redes sociais, o governador Rui Costa disse que Márcio Matos, mais conhecido como Marcinho do MST, é reconhecido pela firme luta em defesa da igualdade social. “Determinei à Secretaria de Segurança Pública a imediata e rigorosa apuração do crime”, afirmou. O prefeito de Itaetê, Valdes Brito, lamentou a morte do secretário e amigo, além de decretar luto oficial por três dias.

Ideologia

O político era filho do ex-prefeito de Vitória da Conquista na década de 1970, Jadiel Matos, e integrava a ala Esquerda Popular Socialista no PT. “Ele acreditava na capacidade de organização e mobilização do povo. Muitas das conquistas que tivemos tiveram Marcinho como um dos idealizadores”, afirmou o deputado federal Walmir Assunção (PT), destacando que perdeu um grande amigo.

De acordo com nota da coordenação nacional do MST, “a morte de Márcio Matos se soma a um triste cenário de violência contra os trabalhadores e trabalhadoras do campo”. Para o MST, “este é um momento de luto e de luta. Não permitiremos que esta morte passe impune e daremos continuidade ao que foi travado por ele”.

A superintendência regional do Incra na Bahia lastimou a morte do líder do MST e notificou a Ouvidoria Agrária Nacional e a coordenação do Grupo Especial de Mediação e Acompanhamento de Conflitos Agrários e Urbanos (Gemacau), cobrando a punição dos responsáveis pelo crime.

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