Caminhoneiros mantêm bloqueios parciais em rodovias do estado

O movimento nacional de caminhoneiros contra o aumento do preço do diesel, que chegou ao sexto dia consecutivo, deixou alguns pontos de retenção nas rodovias federais da Bahia neste sábado, 26. A mobilização prossegue após o anúncio do governo de que as forças de segurança federais seriam acionadas para liberar as estradas, assim como Forças Armadas utilizadas para garantir o abastecimento da população.

No km 613 da BR-324, região de Salvador, os caminhoneiros bloquearam a faixa da direita da via. Juntamente aos motoristas de vans escolares, eles também realizaram um protesto, fechando totalmente os dois sentidos da rodovia por alguns momentos e liberando em seguida. Também há interdição parcial no km 541 da BR-324, na região de Amélia Rodrigues, em ambos os sentidos. Não há retenções no trânsito da região.

Segundo boletim da concessionária ViaBahia, divulgado por volta de 11h40, houve registro de protesto na BR-116 Sul, com restrição de passagem para veículos de carga, nos seguintes municípios: Santo Estevão, Itatim, Milagres, Jequié, Poções, Manoel Vitorino e Vitória da Conquista. Entretanto, o tráfego fluia normalmente para os demais veículos, visto que os caminhoneiros ocupam apenas a faixa da direita.

Manifestantes ocupam faixa da direita nas rodovias, bloqueando apenas a passagem de veículos de carga
Manifestantes ocuparam faixa da direita nas rodovias, bloqueando apenas a passagem de veículos de carga (Foto: Divulgação | Bahia Norte)

Rodovias estaduais

As rodovias estaduais da Bahia apresentou  fluxo tranquilo de veículos neste sábado. De acordo com a Concessionária Bahia Norte, não houve registro de manifestações de caminhoneiros e o trânsito seguia sem retenções nas BAs 526, 093, 524, 512 e 521. Somente na BA-535 (Via Parafuso), houve bloqueio para caminhões e carretas no KM 10, em ambos os sentidos.

A BA-099 (Estrada do Coco) também seguia com fluidez nas proximidades do pedágio, nos dois sentidos, segundo informações da Concessionária Litoral Norte (CLN).

Mais cedo, por volta de 8h, um grupo de motoristas de vans escolares realizou um protesto na região, bloqueando as faixas da direita. Entretanto, os manifestantes não ocupam mais a localidade.

PRF aponta 586 pontos ativos bloqueados nas rodovias

Caminhoneiros seguem com mobilizações em rodovias de todo o País, completando o sexto dia de protestos. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou na noite deste sábado, 26, que o número de pontos de manifestação identificados em rodovias federais aumentou de 938, registrados na sexta, para 1.163.

Desse total de 1.163 identificados, 577 pontos foram liberados entre o início das manifestações até as 19h deste sábado. Entretanto, o número de pontos que continuam bloqueados, ainda que parcialmente, de ontem para hoje aumentou, de 519 para 586. Segundo a PRF, esse número tem alta toda vez que há uma dispersão, pois grupos tendem a se espalhar e acabam interferindo em outros pontos.

O maior número de estradas interditadas até a noite deste sábado está no Rio Grande do Sul (94). Já o Estado que teve o maior número de estradas liberadas é Pernambuco (66). São Paulo possui apenas um ponto ainda interditado e 40 já liberados. Os Estados do Acre, Amazonas e Amapá não possuem mais interdições.

Governo pretende negociar, mas sem abrir mão da autoridade

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Sérgio Etchegoyen, disse que o governo continua aberto ao diálogo com os caminhoneiros, mas que a ordem no Palácio do Planalto é “não abrir mão do exercício da autoridade sempre que isso for necessário”.

O ministro lembrou que foi firmado um acordo entre governo e os movimentos de trabalhadores, mas que parte dos caminhoneiros não o cumpriu. Etchegoyen classificou como “menor parte de 30%” dos caminhoneiros que continua com a paralisação e que tem exercido pressão sobre os outros 70%.

A manutenção das paralisações, diz o ministro, tem prejudicado vários segmentos essenciais, como o Ministério da Saúde. “Um ponto dramático que precisa de muita atenção é o sistema nacional de transplantes que foi comprometido. Já perdemos órgãos”, disse.

Para tentar acelerar a normalização, o ministro destacou a estratégia jurídica que tem conseguido resultados, como o acolhimento pelo Supremo Tribunal Federal de pedido da Advocacia-Geral da União que estabelece multas diárias para motoristas e por hora para empresas que mantiverem caminhões parados.

Todo o esforço, disse o ministro Etchegoyen, vai “continuar durante todo o domingo e enquanto a normalização exigir”. Segundo ele, “já há muitas perspectivas no horizonte de que as coisas começam a normalizar”. “Não é rápido. Cada caminhão vai precisar de várias viagens”, disse, ao lembrar que as Forças Armadas já estão atuando e colaboram, por exemplo, na condução de veículos de transporte para suprir esse esforço de abastecimento.

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