Cachoeira: desabamento danifica parte do famoso Hotel Colombo

Mais um importante prédio-casarão dentre dezenas de edificações centenárias que compõe o patrimônio histórico da cidade heroica de Cachoeira entra na lista de ruina apodrecida pelo tempo e descuido dos poderes públicos. O charmoso Hotel Colombo, construído em 1950, recebeu milhares de turistas, personalidades importantes e, que foi responsável por compor o rico cenário do comércio da cidade na década de 50 teve novamente parte da sua história ameaçada. A parada do vapor de Cachoeira, que vinha de Salvador, tinha um toque especial com a imponência da fachada do Hotel, admirado até hoje pelo seu projeto arquitetônico e robustez.

Foto: Arquivo Público

Com toda essa importância e mesmo já tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN o prédio que hoje pertence a família Queiroz, passa esquecido pelo olhar dos seus responsáveis e poderes públicos. O Raimundo Queiroz, que também é proprietário do restaurante Pai Thomaz, nada faz e segundo os moradores da cidade só comprou o hotel Colombo para especular.

Fotos: Seu Zé

Para o antropólogo e professor Luiz Claudio Dias (Cacau Nascimento) a construção e ampliação do hotel demonstrou a força comercial da época e culminou na decadência de sucessivos desastres administrativos. “O Hotel Colombo foi fundado na década de 1950 por um espanhol chamado Aurélio Bouza, que tinha hotel também em Nazaré das Farinhas. Existem fotografias do tempo em que o estabelecimento era um só andar, significando que era um hotel modesto. Mas Aurélio ganhou muito dinheiro com a navegação a vapor e o meio de transporte ferroviário, levando-o na década de 1960 a construir mais dois andares. Mas ele tinha muitos filhos playboys, entre os quais Eraldo Bouza, o cantor branco do Tincoãs. As enchentes e a desativação dos meios de transportes ferroviário e fluvio-marítimo e os filhos levaram o hotel à falência”, afirmou Cacau.

Desabamento

Na tarde dessa quarta-feira (16) diversos moradores reclamaram de um barulho forte vindo do Hotel. Nossa equipe esteve no local e constatou que houve um desabamento dentro do prédio. De acordo com o IPHAN a estrutura do velho Colombo ainda não foi danificada. “A equipe do Iphan realizou vistoria hoje no local e não constatou nenhum dano grave ao bem. O edifício está degradado, mas não houve novo dano que prejudique os valores que estão sendo preservados pelo Iphan. De todo modo, vale destacar que a responsabilidade pela gestão, manutenção e conservação do bem é de seu proprietário”, destacou em nota a assessora da presidência, Déborah Gouthier, de Brasília.

Impasse

Como o prédio é de propriedade privada o poder público apresenta amarras para solucionar o abandono da estrutura e de possíveis tragédias que podem acontecer como diversos prédios da cidade. Para Cacau o atual proprietário não demonstra interesse em restaurar o Hotel e insiste na mesma estratégia desastrosa dos outros que por lá passaram. “Ele comprou o Hotel Colombo para especular. Dizem que ele aceita vender, mas por 2 milhões, e como ninguém dará 2 milhões numa ruína, tá lá caindo”, disse o professor.

Fotos: Seu Zé.

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