Moro autorizou operação contra filha de investigado, apontam mensagens

Novas mensagens vazadas dos procuradores da Lava Jato mostram que o Ministério Público Federal (MPF) pediu duas vezes ao então juiz Sergio Moro medidas contra a filha de um alvo da operação, um empresário radicado em Portugal, como forma de forçá-lo a se entregar. Ela não era suspeita de quaisquer crimes.

Os diálogos no aplicativo Telegram, obtidos e publicados hoje pelo site The Intercept Brasil, revelam que a ideia dos procuradores era chegar ao paradeiro do empresário Raul Schmidt por meio da filha, Nathalie Angerami Priante Schmidt Felippe. Em um trecho da conversa, o procurador Diogo Castor de Mattos afirma que a ação visava criar um “elemento de pressão” no empresário. Schmidt é apontado como operador de propinas para ex-dirigentes da Petrobras. Ele foi preso na 25ª fase da Lava Jato, mas foi liberado para responder ao processo em prisão domiciliar.

Em um primeiro momento, Moro recusou o pedido do MPF e alegou que não havia provas claras de que Nathalie sabia que as contas em seu nome no exterior receberam propinas. “Apesar dos argumentos do MPF, não há provas muito claras de que Nathalie Angerami Priante Schmidt Felippe tinha ciência de que os valores tinham origem ilícita e/ou eram fruto de atos de corrupção”, despachou o então juiz.

Porém, três meses depois, o MPF voltou a pedir operação contra Nathalie para capturar Schmidt. Desta vez, mesmo sem qualquer mudança no pedido, Moro acatou. A operação de busca e apreensão na casa de Nathalie, no Rio de Janeiro, reteve o seu passaporte. No mesmo dia, o pedido de extradição de Schmidt foi cancelado em Portugal. Segundo o Intercept, “Nathalie foi denunciada pela Lava Jato por lavagem de dinheiro pela compra do imóvel em Paris no final de 2018, mas o caso corre, até hoje, sob sigilo”.

Folha de S.Paulo

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