Hollywood no Recôncavo: Cachoeira se consolida na produção de cinema

O silêncio é absoluto na casa 16, onde acontece uma gravação, até que um carrinho de mão passa na rua fazendo barulho e os olhares preocupados da equipe de filmagem se cruzam. Corta. A cena vista pela reportagem em São Félix é apenas uma das inúmeras rodadas no Recôncavo Baiano, cenário que tem se fortalecido como centro de produção de cinema.

Antes de detalhar essa produção local que tem uma identidade regional única e está presente nos principais festivais do país – um deles em outubro –, vale dizer que são vários os fatores responsáveis por seu impulsionamento. Um deles é a presença da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que há onze anos forma profissionais no curso de Cinema e Audiovisual, avaliado mais uma vez pelo MEC com a nota máxima, mês passado.

Se alguém duvida que o Recôncavo respira a sétima arte, basta fazer um passeio por cidades como Cachoeira, São Félix e Muritiba. Não é incomum ir na padaria no fim da tarde, ou sentar com alguém para tomar uma cerveja, e dali sair o projeto de um filme. “É uma relação que beira a familiaridade”, comenta o diretor e roteirista Ary Rosa, 32 anos, mineiro que mora em Muritiba há dez anos.
Ary é formado pela UFRB e, junto com a cineasta Glenda Nicácio, 27, premiado pelos filmes Café com Canela (2017) e Ilha (2018). Nascidos em cidades vizinhas de Minas Gerais, os dois se conheceram na universidade, onde viraram amigos e criaram a produtora Rosza Filmes. A cena que abre esse texto, a propósito, diz respeito à gravação do primeiro documentário da dupla, Eu Não Ando Só, que mostra a Festa da Boa Morte e estreia no início de 2020.

“A maioria das pessoas que produzem cinema em Cachoeira é egressa ou aluna do curso de cinema”, destaca Ary. A Rozsa Filmes, por exemplo, tem essa configuração. “É uma coletividade. A maioria vem de fora, então a gente cria primeiro uma rede afetiva e quando faz um filme, propõe essa produção”, explica, sobre a equipe que está finalizando a ficção Até o Fim, cujo elenco inclui a influencer Tia Má e a atriz Arlete Dias, do Bando de Teatro Olodum.

Ou seja, “em Cachoeira, fazer cinema é fazer junto”, resume Glenda. A Rosza Filmes, criada em 2011, foi uma “ação desbravadora não só da cidade, das ruas, do Recôncavo, mas também dos tempos, do nosso jeito de fazer cinema”. Que jeito é esse? Aquele feito de forma coletiva, com autonomia, que valoriza a cultura, a mão de obra local e vê o CNPJ como “uma questão estratégica para ter acesso à Ancine”.
Potência criativa
É tudo isso que aparece na tela. Com roteiros “que cabem dentro do orçamento” e enquadramentos que escapam do tradicional, os filmes investem na criatividade para driblar obstáculos. A parede se move? Não é efeito especial, ela mexe mesmo. O dendê jorra do teto? É por causa da canaleta que joga o azeite de verdade.

Confira a matéria completa:
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/hollywood-no-reconcavo-cachoeira-se-consolida-na-producao-de-cinema/

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