‘Jogo cínico de Moro e Dallagnol do começo acabou’, diz Glenn Greenwald

O jornalista e advogado Glenn Greenwald disse que as afirmações do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e do coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, de que não reconhecem a autenticidade das mensagens vazadas pelo site The Intercept e de que poderiam haver eventuais adulterações nos conteúdos publicados não se sustentam.

“A autenticidade desse arquivo não está mais em dúvida. Esse jogo cínico que o Moro e Dallagnol estavam fazendo no começo acabou. A questão é como vamos fortalecer o combate à corrupção. Sabemos que temos o ministro da Justiça e o coordenador que usavam métodos completamente corruptos, não em casos isolados, mas o tempo todo”, disse ele na noite desta segunda-feira (2), em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura.
Segundo o portal UOL, Glenn citou como justificativa para sua afirmação o caso da procuradora Jerusa Viecili, da força-tarefa da operação em Curitiba, que publicou um pedido de desculpas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em suas redes sociais no dia 27 de agosto, reconhecendo a veracidade de uma mensagem.

Ela foi uma das mencionadas em reportagem do UOL que mostrou que membros do Ministério Público Federal (MPF) ironizaram a morte da esposa de Lula, Marisa Letícia, em 2017, e os pedidos do ex-presidente para ir aos enterros de familiares que morreram neste ano.

“Errei. E minha consciência me leva a fazer o correto: pedir desculpas à pessoa diretamente afetada, o ex-presidente Lula”, escreveu a procuradora em seu Twitter.

Greenwald é sócio e cofundador do Intercept, site que deu início em 9 de junho à série de reportagens baseadas nos diálogos vazados de procuradores da Lava Jato e de Sergio Moro, ex-juiz federal responsável pelos julgamentos da força-tarefa.

O jornalista disse que era um defensor da Lava Jato e do combate à corrupção, que, segundo ele, é um “problema enorme” no país, mas que mudou de opinião e passou a vê-la de outra forma após ter acesso aos diálogos vazados.

“É impossível combater a corrupção com corruptos ou métodos corruptos. Então, acredito, sem dúvida, que o trabalho jornalístico que estamos fazendo não está enfraquecendo a Lava jato, está fortalecendo a Lava jato e o combate à corrupção, porque está levando mais integridade e mais credibilidade [à operação]”.

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