Vaza Jato: Deltan deixou filantropia e arrecadou R$ 580 mil com palestras

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato, arrecadou com palestras remuneradas, a partir de 2017, ao menos R$ 580 mil, apontam diálogos e documentos obtidos pelo The Intercept Brasil e analisados em conjunto com a Folha.

Segundo reportagem dos dois veículos publicada nesta sexta (23), a atividade passou por mudanças contratuais para deixar de ter a filantropia como principal destino dos valores. Dallagnol começou a focar o meio empresarial, afirmam a Folha e o Intercept.

Conforme os sites, mensagens, planilhas, recibos e contratos que circularam no aplicativo Telegram de Deltan indicam um contraste entre os argumentos da defesa apresentada por ele à Corregedoria do Ministério Público em junho de 2017, que levaram ao arquivamento de uma reclamação disciplinar, e a conduta do procurador em relação às palestras a partir daquele ano.

De acordo com a Folha e O Intercept, Deltan sempre se recusou a divulgar a relação de empresas e entidades que pagaram por suas palestras, bem como as remunerações recebidas por esse trabalho. A lista de contratantes do procurador traz unidades da operadora de planos de saúde Unimed, firmas do mercado financeiro e associações industriais e comerciais.

O valor de cada palestra variou entre R$ 10 mil e R$ 35 mil. O total arrecadado com elas a partir do início da Lava Jato passou de R$ 1 milhão caso sejam somadas as quantias que Deltan também destinou para instituições filantrópicas —isso ocorreu principalmente em 2016.

Em nota, Deltan diz que, na soma de 2016 a 2018, destinou a maior parte dos valores para atividade beneficente ou ações anticorrupção, incluindo uma reserva de R$ 184 mil que mantém em aplicação financeira e que ele diz planejar para essa última finalidade. Ele não comenta as mudanças ocorridas especificamente após 2017.

O procurador afirma que, ao longo dos anos, destinou a maior parte dos valores arrecadados com palestras para atividade beneficente ou anticorrupção.

Ele inclui em seu cálculo a quantia de R$ 184 mil, hoje em aplicação financeira, que diz reservar para fazer investimentos futuros em ações de combate à corrupção.

O coordenador da Lava Jato diz que já realizou doações a instituições filantrópicas que totalizam cerca de R$ 100 mil além das contribuições feitas ao Hospital Erasto Gaerter em 2016.

Segundo Deltan, a maioria de suas palestras é gratuita e a atividade é legal, legítima e positiva para a sociedade.

“O propósito da atividade é promover cidadania e o combate à corrupção. No caso de palestras remuneradas, são regularmente declaradas em Imposto de Renda”, afirma em nota.

Apesar de a Folha ter pedido ao procurador esclarecimentos sobre a situação após as mudanças nos contratos das palestras, a partir de 2017, quando elas passaram a deixar a filantropia em segundo plano, Deltan fez considerações abrangendo fatos de 2016, ano em que ainda dedicava a maior parte dessa remuneração para entidades assistenciais.

Em sua resposta, o procurador também não contempla as receitas obtidas em 2019.

O procurador afirma que “ficou com menos de 40% dos valores das palestras prestadas desde 2016 até 2018 que envolveram pagamentos”, e, assim, “a maior parte dos valores tem sido destinada para atividade beneficente ou anticorrupção”.

Deltan diz que, desde 2016, a atividade de palestras “tem resultado em um benefício econômico direto para a sociedade de R$ 734.774,14”.

Para chegar a esse total, o procurador inclui cerca de R$ 200 mil que diz ter recolhido em tributos entre 2016 e 2018 em função da atividade de palestras, os R$ 184 mil atualmente em aplicação financeira para investimento futuro no combate à corrupção e os R$ 247 mil (em valores atualizados) doados ao Hospital Erasto Gaerter em 2016. Nessa conta entram também outras doações que somam cerca de R$ 100 mil.

 

 

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