Os tentáculos de Olavo de Carvalho sobre 57 milhões de estudantes brasileiros

Três discípulos do filósofo ocupam cargos importantes no Ministério da Educação de Bolsonaro. Ideias do pensador da ultradireita devem influenciar políticas da alfabetização às universidades

Considerado uma espécie de guru intelectual da direita brasileira, o filósofo Olavo de Carvalho emplacou três discípulos em cargos estratégicos do Ministério da Educação sob o presidente Jair Bolsonaro. Além do próprio titular da pasta, Ricardo Vélez, os seguidores Carlos Nadalim e Murilo Resende ocupam, respectivamente, a Secretaria Especial da Alfabetização e a direção da Avaliação da Educação Básica do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Tratados pelo mentor como “olavistas” ou “olavetes”, Vélez, Nadalim e Resende chegam ao poder afinados com as ideias que aprenderam principalmente nos cursos online oferecidos pelo filósofo direitista, e pelos quais já passaram cerca de 12.000 pessoas.

As ideias de Carvalho  centradas principalmente no fim da “doutrinação ideológica marxista” que diz existir no ensino público do país  devem influenciar as políticas dos próximos quatro anos nas duas pontas da educação brasileira: da alfabetização ao ensino superior, cujo impacto deve recair sobre os cerca de 48,6 milhões de estudantes matriculados nas escolas da educação básica e sobre os pouco mais de 8,3 milhões de alunos do ensino superior (segundo o último Censo Escolar, de 2017).

No centro do discurso de Olavo de Carvalho, estão críticas ferrenhas a Paulo Freire (1921-1997), o educador e filósofo brasileiro mais referenciado em universidades do mundo, nomeado patrono da educação brasileira em 2012, laureado dezenas de vezes com o título doutor honoris causa fora do Brasil. O pedagogo pernambucano, criticado pelo Governo Bolsonaro, defendia a educação como um ato político, mantendo os alunos em contato constante com os problemas contemporâneos no processo educacional. Ainda que não seja o único teórico no qual se apoiam os professores brasileiros, Paulo Freire é um dos principais alvos de crítica de Olavo e também dos seguidores que agora ocupam secretarias complexas no Governo Federal.

Distante dos espaços acadêmicos, Carvalho se construiu como um filósofo outsider. Não tem título universitário, mas é autor de 19 livros e dissemina suas ideias por cursos online e pelas redes sociais, onde expõe posições fortes e que costumam causar controvérsia entre educadores. Defende, por exemplo, que o Governo perca o papel de educador. A Constituição brasileira estabelece que municípios são responsáveis prioritários pela oferta pública de educação infantil e pelo ensino fundamental. Já os Estados são responsáveis pelo ensino médio. Para o filósofo, é preciso desregulamentar a educação e resumir o papel do Governo ao de selecionador, pelo qual seria responsável apenas por testes de aprovação baseados na avaliação de três aptidões básicas: ler, escrever e fazer contas. Nesta perspectiva mais ampla, Olavo de Carvalho  que fez o ensino básico em uma escola mantida pela Igreja Católica  defende um sistema de fundações privadas que subsidiem essas escolas. “Por que tem que ser tudo subsidiado pelo Governo central ou mesmo pelos governos estaduais?”, questionou em um vídeo publicado em agosto do ano passado, intitulado Como salvar a educação no Brasil?.

Neste vídeo, Olavo de Carvalho chega a questionar a necessidade de existência do Ministério da Educação e chama de “mágica” uma proposta apresentada por Bolsonaro na campanha, de ampliar as escolas militares, que segundo o presidente teriam melhor qualidade no ensino que as escolas tradicionais. “Isso é uma bobagem. O erro essencial é a ideia de que o Governo central tem que educar a nação. É uma ideia comunofascista que Getúlio Vargas pôs na cabeça do brasileiro”, diz.

As críticas feitas à proposta de Bolsonaro durante a pré-campanha eleitoral não impediram que o presidente desse a ele um amplo poder de influência nas políticas educacionais dos próximos quatro anos. Dos Estados Unidos  onde vive desde 2005, o filósofo indicou três nomes para o MEC, inclusive o chefe da pasta, Ricardo Vélez, que segundo ele, “a pessoa que mais entende de pensamento político-social brasileiro” no mundo. No discurso de posse, o ministro destacou sua relação com o olavismo e a “inspiração liberal e conservadora” que deverá representar nas políticas educativas.

Carlos Nadalim assume a recém criada Secretaria de Alfabetização com a função de enfrentar o problema do analfabetismo em todos os níveis de escolaridade —segundo dados do IBGE de 2017, o Brasil ainda possuía quase 12 milhões de analfabetos. Nadalim já foi apresentado por Olavo de Carvalho em vídeos como um dos poucos que de fato educam no Brasil. Coordenador de uma escola em Londrina chamada Balão Mágico, implantou o método fônico de alfabetização  baseado na relação entre as sílabas e os sons para só depois ler frases completas  a pouco mais de uma centena de alunos e apresentou resultados que lhe renderam o prêmio Darcy Ribeiro, da Câmara dos Deputados. Mantém o blog Como educar seus filhos, onde oferece cursos online. Nele, escreveu que seu projeto é “apenas uma nota de rodapé do imenso trabalho” desenvolvido por Olavo de Carvalho. Agora no Governo, tem defendido a ideia de banir métodos globais de ensinar a ler e escrever (associados à teoria construtivista e a Paulo Freire)  para promover o método fônico. Atualmente, não há um único método de alfabetização nas escolas brasileiras, embora a maioria delas utilize o método construtivista.

Na outra ponta do ensino, está o professor de economia Murilo Resende, 36 anos, novo diretor do Inep. É ele o novo responsável pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a principal porta de entrada nas universidades federais brasileiras. Assim como Nadalim, Resende atribui a Olavo de Carvalho seu “amadurecimento intelectual” e oferece cursos online sobre economia e filosofia política a partir da perspectiva conservadora. Ao ser anunciado ao cargo, foi criticado pela falta de experiência na Educação. O próprio presidente saiu em sua defesa, pelo Twitter. “Murilo Resende, o novo coordenador do Enem, é doutor em economia pela FGV e seus estudos deixam claro a priorização do ensino ignorando a atual promoção da ‘lacração’, ou seja, enfoque na medição da formação acadêmica e não somente o quanto ele foi doutrinado em salas de aula”, afirmou. Depois que assumiu o cargo no Governo, Resende desativou o site onde oferecia seus cursos.

Olavo de Carvalho diz que a esquerda exerce o controle do ensino brasileiro, no qual imporia ideias marxistas, especialmente pela predominância das ideias de Paulo Freire, que defende o poder de assimilação maior do aluno pela relação os problemas sociais em vez de valorizar apenas a técnica. Carvalho vai na contramão. Critica, por exemplo, os métodos de alfabetização “introduzidos por essa mesma turma esquerdista nos anos 1970 e 1980, como o socioconstrutivismo, que cria deficiências estruturais de leitura que não se curam nunca mais”. Leva anos insistindo que 50% dos formandos das nossas universidades são analfabetos funcionais. De acordo com o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) da Ação Educativa, 4% dos que chegam ao ensino superior são de fato considerados analfabetos funcionais, mas apenas 34% alcançam o nível proficiente.

Ricardo Vélez Rodriguez: “Anti-marxista” indicado por Olavo de Carvalho será ministro da Educação

Ricardo Vélez Rodríguez é o Ministro da Educação escolhido para compor o Governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro. O anúncio de Vélez, um indicado pelo filósofo conservador Olavo de Carvalho que é crítico da “ideologia marxista” e tem livros publicados contra o PT, foi feito pelo Twitter. Vélez Rodríguez é professor da elite do Exército e da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Num termômetro da centralidade da posto na base de apoio da gestão Bolsonaro, primeiro foi descartado a indicação do moderado Mozart Neves Ramos, ex-reitor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), que acabou vetado pela bancada evangélica, que preferia, por sua vez, o procurador da República Guilherme Schelb. Depois, foi a vez do próprio Schelb, ruidoso combatente contra o ensino de gênero nas escolas, perder a vez. O procurador chegou a ser recebido por Bolsonaro nesta quinta em Brasília, mas seria vencido à noite pelo professor emérito da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.

Rodríguez disse ter sido recomendado para o cargo de ministro da Educação no dia 7 de novembro, conforme escreveu em seu blog. Nesse dia, publicou um texto intitulado Um roteiro para o MEC, no qual diz que a proliferação de leis e regulamentos tornou os brasileiros “reféns de um sistema de ensino alheio às suas vidas e afinado com a tentativa de impor, à sociedade, uma doutrinação de índole cientificista e enquistada na ideologia marxista”. Isso levaria, segundo ele, a “invenções deletérias em matéria pedagógica como a educação de gênero, a dialética do ‘nós contra eles”, tudo destinado a desmontar os valores da sociedade, “no que tange à preservação da vida, da família, da religião, da cidadania, em soma, do patriotismo”.

O discurso é afinado com a pregação de Bolsonaro e do Escola Sem Partido, defendido pelo presidente eleito e aliados, que inclui, além da ideia de que é preciso combater o “esquerdismo” na educação, a demonização da discussão de gênero nas escolas. Esses temas, que já afetam a rotina nas instituições de ensino e provocam um temor de uma caça às bruxas, foram bandeiras de destaque do ultradireitista durante a campanha tornando o Ministério da Educação uma trincheira estratégica de seu futuro Governo.

O tema não sairá da agenda tão cedo. Um projeto do Escola sem Partido tramita na Câmara e um julgamento sobre o tema no Supremo Tribunal Federal, previsto para ainda este mês, deve colocar fogo de vez neste debate. O projeto tem entre seus críticos um apoiador de Bolsonaro. Olavo de Carvalho, fiador de Vélez segundo o próprio futuro ministro em seu blog, tem, ressalvas sobre a proposta. Guru da direita que vive nos EUA, Carvalho tem demonstrado força no bolsonarismo. Além do MEC, foi também importante na unção do futuro chefe do Itamaraty, Ernesto Araújo – outro cruzado “anti-marxista”.

Um máquina enorme nas mãos

Segundo Bolsonaro, o futuro ministro da Educação tem “ampla experiência docente e gestora”. Alguns especialistas na área, consultados pelo EL PAÍS, preferiram, porém, não se manifestar por não terem referências sobre Vélez. Claudia Costin, diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais – CEIPE-FGV, fez sua leitura a partir do currículo do indicado. Costin avalia que falta experiência em gestão de políticas educacionais ao novo integrante da equipe do presidente eleito. “Bolsonaro prometeu um perfil técnico para o cargo, mas Vélez não entende de administração de políticas de educação. Pelo currículo dele, ele é um intelectual”, observa. “Lógico que ele pode aprender”, completa.

Costin lembra que o orçamento do MEC é um dos maiores do Governo e exige competência de gestão. “De orçamento público, de execução financeira, para transferir dinheiro para Estados e municípios”, diz. Ela lamentou o fato de Mozart ter sido preterido para o cargo, uma das raras unanimidades na comunidade acadêmica, segundo ela. Vélez, por sua vez, poderia trazer um olhar novo, pondera. “Mas o fato de não ser tão conhecido da comunidade educacional já mostra que é alguém pouco afeito a esse mundo.”

Vélez é autor de dezenas de títulos, entre eles A Grande Mentira. Lula e o Patrimonialismo Petista, lançado em 2015. “O professor explica como o PT conseguiu potencializar as raízes da violência, que já estavam presentes na formação do nosso Estado patrimonialista”, diz a descrição disponível na página da Amazon. Em seu blog, o professor defende ainda uma política que retome “as sadias propostas dos educadores da geração de Anísio Teixeira, que enxergavam o sistema de ensino básico e fundamental como um serviço a ser oferecido pelos municípios, que iriam, aos poucos, formulando as leis que tornariam exequíveis as funções docentes.” Teixeira, advogado baiano nascido em 1900, que se especializou em educação, é considerado o idealizador das grandes mudanças para o ensino no Brasil no século 20. Para o educador, a escola deveria formar homens livres em vez de homens dóceis; preparar para um futuro incerto em vez de transmitir um passado claro; e ensinar a viver com mais inteligência e mais tolerância.

Para Costin, a ênfase na agenda do Escola sem Partido e a preocupação ideológica são “desperdício de energia”. “Finalmente as crianças estão na escola, agora precisamos garantir melhoria da aprendizagem. Precisamos mudar a formação inicial dos professores, que é excessivamente teórica, dar uma ênfase mais profissionalizante de. O fundamental é não desperdiçar energia nessas questões paralelas, como o Escola sem Partido. Estamos formando a nova geração, que vai ser essencial para o nosso futuro”, conclui.

GOLPE MILITAR É “UMA DATA PARA LEMBRAR E COMEMORAR”, DEFENDE NOVO MINISTRO

“Amigos, esta é uma data para lembrar e comemorar. A esquerda pretende negá-la. Mas não pode. Porque ela foi incorporada à nossa memória como Nação”. É assim que Ricardo Vélez Rodríguez abre o artigo 31 de março de 1964: É patriótico e necessário recordar essa data.

Rodríguez defende que o golpe de 64 foi uma “revolução institucional”, com o objetivo de corrigir o “rumo enviesado pelo populismo janguista”. Para ele, a ditadura militar livrou o Brasil do comunismo. “Nos poupou os rios de sangue causados pelas guerrilhas totalitárias”, afirmou citando como exemplo as Farc, na Colômbia.

Também faz duras críticas ao que chama de “desgoverno lulopetista”, que tentou desmoralizar a memória dos militares com a “malfadada” Comissão Nacional da Verdade (CNV), que investigou as violações de diretos humanos cometidas entre 1964 e 1888 no país. Com base em depoimentos de vítimas, testemunhas e agentes da repressão, a CNV identificou que o Estado brasileiro foi responsável pela morte de 434 pessoas. “Constituiu mais numa encenação para a ‘omissão da verdade’, (…) a iniciativa mais absurda que os petralhas tentaram impor”, afirma o novo ministro da educação.

Também crítica o Programa Nacional de Direitos Humanos, instituído em 2009, pelo qual, acredita Rodríguez, “os coletivos sindicais iriam tomar posse de todas a instâncias de poder (…), chegando ‘a formulação de uma nova versão de ‘direitos humanos’ identificados unicamente com a defesa da república sindical lulopetista”.

Murilo Resende, o ‘olavete’ contra a marxismo que supervisionará o Enem

Murilo Resende é o novo diretor do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) para responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o maior vestibular do país. Resende é formado em administração de empresas e doutor em economia pela Fundação Getúlio Vargas, apresentando uma tese sobre a história dos bancos e arranjos financeiros. Discípulo do guru da ultradireita Olavo de Carvalho e militante contra a “doutrinação marxista no ensino”, a experiência em sala de aula do economista se deu no ambiente universitário como professor visitante de economia na Universidade Federal de Goiás e na Escola Superior Associada de Goiânia, uma faculdade particular especializada em economia, ciências contábeis e direito.

Uma enxurrada de críticas ao economista tomou a internet depois da indicação de seu nome para o cargo. O presidente Jair Bolsonaro saiu em defesa da nomeação em sua conta no Twitter. “Seus estudos deixam claro a priorização do ensino ignorando a atual promoção da ‘lacração’, ou seja, enfoque na medição da formação acadêmica e não somente o quanto ele foi doutrinado em salas de aula”, disse o mandatário.

Após a nomeação, o próprio Resende disse ao jornal O Globo que não prevê mudanças imediatas no Enem de 2019, que já começou a ser elaborado. Tem que manter (as diretrizes), a gente tem milhões de alunos que dependem do Enem para seleção nas universidades. Tudo isso tem que ser mantido”.

O tema, porém, preocupa os especialistas da área porque a família Bolsonaro elegeu o Enem e a suposta “doutrinação” esquerdista nas perguntas da prova como uma das bandeiras políticas prioritárias. Por isso, tanto as declarações como a nomeação podem ter efeito direto na vida milhões de alunos. Em 2018, 5,5 milhões de estudantes fizeram o Enem, que é a porta de entrada para quase todas as universidade federais brasileiras.

Atualmente, a prova tem um rígido protocolo de segurança e elaboração. Poucas pessoas veem o exame final que o atual mandatário já anunciou que quer revisar. De acordo com especialistas, o Enem poderia sofrer alterações de forma indireta sob Bolsonaro, se a Base Nacional Comum do Ensino Médio, um documento que estabelece o currículo mínimo para a última etapa do ensino básico, for modificada para acomodar as petições do novo Governo.

Frases de efeito e militância contra o aborto 

O professor de economia tem uma vida ativa e polêmica na Internet, administrava um blog, escrevia artigos para jornais como a Gazeta do Povo e possuía um site de cursos online onde oferecia formações sobre economia e filosofia política a partir da perspectiva conservadora. Entre os conteúdos, cursos sobre os autores Eric Voegelin, Bertrand de Jouvenel e, claro, Olavo de Carvalho, a quem Murilo atribuiu seu amadurecimento intelectual.

Integrou as filas do MBL (Movimento Brasil Livre), um dos principais movimentos pró-impeachment. “Um maluco completo. Foi do MBL de Goiás. Expulso, vivia xingando a gente por lutarmos pelo impeachment… Lunático, conspiratório, fora da realidade”, escreveu Renan Santos, um dos líderes do MBL, no Twitter.

Simpatizante do Movimento Escola Sem Partido, em 2016 durante uma audiência pública sobre “Doutrinação Político-Partidária no Sistema de Ensino”, Resende, durante meia hora, acusa os professores de serem “desqualificados e manipuladores” que enganam os pais com “conversinha furada” para pregar o aborto e outras práticas anticristãs. “Qualquer ser humano que tenha alguma dignidade e olhe o currículo das nossas faculdades de pedagogia sabe que precisam de uma reforma absurda, de uma reforma completa para limpar toda essa contaminação ideológica até o ponto em que os professores voltem a se preocupar com a sala de aula e não só com filosofia da educação.”

Carlos Nadalim, da escola Balão Mágico a um posto estratégico no MEC

Carlos Nadalim, o novo secretário de Alfabetização do Ministério da Educação (MEC), se destaca em alguns aspectos: a militância contra as ideias do pedagogo Paulo Freire, demonizadas por serem “marxistas”, e o entusiasmo pela educação domiciliar, que ele divide com os seus 168 mil seguidores em seu canal “Como educar seus filhos” no YouTube. No mundo offline, a experiência de Nadalim se dá como coordenador da escola Mundo do Balão Mágico, em Londrina, fundada por sua mãe. No censo escolar de 2017, a escola contava com pouco menos de 150 alunos até o 5º ano.

Carlos Nadalim é formado em direito pela Universidade de Londrina com especializações em filosofia moderna e história da arte, além de um mestrado em Educação na mesma instituição. Até aí,um currículo modesto. O pulo do gato, que o levou a um posto estratégico e novo em uma das pastas mais importantes da Esplanada, é um apadrinhamento-chave: ele é mais um “olavete”, discípulo do autointitulado filósofo Olavo de Carvalho, o guru da ultradireita e maior influenciador do Governo Bolsonaro. O próprio Carvalho sugeriu seu nome para Ricardo Vélez, o ministro da Educação que também indicou.

“Há poucos cursos de magistério no país, por exemplo, que é onde se aprende o procedimento técnico para o ensino. Paulo Freire chama isso de tecnicismo e diz que ele desvincula o educando de seu contexto. Ele faz uma defesa ideológica do fim da alfabetização, porque ele quer que a criança tome consciência de classe. Para ele você precisa ensinar a criança a linguagem porque ela é dominada pela classe dominante que impõe seu discurso. Mas a alfabetização não é isso. Alfabetização é uma técnica para ela decodificar e reconhecer palavras”, explica Nadalim em seu site.

Desde 2013, Nadalim mantém o canal “Como educar seus filhos” e exibe, entre os conteúdos, entrevistas com pessoas como o seu professor, Olavo de Carvalho, e o Padre Paulo Ricardo, que defende a educação moral. No site que leva o mesmo nome, além dos vídeos, Nadalim disponibiliza textos e cursos online como o “Ensine seus Filhos a Ler – Pré-alfabetização”, que já formou 2.758 pais e mães.

Nadalim é conhecido na Internet por ser um defensor da educação domiciliar e do método de alfabetização fônico, que alfabetiza a partir da apresentação dos sons de cada letra e a junção de sílabas, método que não prioriza a interpretação de texto como defendia Paulo Freire, e sim a decodificação.

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