‘Maquininha’ de cartões eleva vendas em até 40%

Quem vive da venda de um serviço ou produto e deseja ampliar a receita precisa, nos dias de hoje, adotar um meio eletrônico de pagamento. Seja um micro ou pequeno empreendedor, atendendo em domicílio, em porta de escola ou em estabelecimento fixo. Segundo estudos do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas na Bahia (Sebrae-BA), receber com cartão pode significar faturar até 40% mais.

Mais leves, modernas e com menor custo, as “maquininhas” foram responsáveis por movimentar, somente no primeiro trimestre de 2018, R$ 355 bilhões em compras – um resultado cerca de 14% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, apontam dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões e Serviços (Abecs).

A maioria das transações se dá na função crédito (R$ 221 bi), seguida de débito (R$ 132 bi) e de cartão pré-pago (R$ 2 bi). Em todo o País, já são cerca de 5,1 milhões de equipamentos para as transações do tipo.

“As vendas com cartão superam e muito as vendas em dinheiro hoje em dia. Com a máquina, o empreendedor não perde a venda e garante maior competitividade. Ele se preocupa menos em ter troco. E para o cliente importam a segurança e a praticidade”, afirma a analista da Unidade de gestão de portfólio do Sebrae, Fernanda Gonçalves.

Segundo ela, o que o empreendedor deve levar em consideração no momento em que decidir adotar a máquina do cartão é avaliar qual a melhor opção, em termos de taxas e serviços, para o seu perfil. “Se vai adquirir ou alugar. Se abrange recarga de celular, por exemplo, e quais bandeiras são aceitas. São muitas as opções disponíveis”, diz ela.

Opções

Ainda de acordo com Fernanda, são inúmeros os modelos e empresas credenciadoras, e é necessário que cada empreendedor acesse na internet as páginas das principais marcas para avaliar a melhor opção. “A partir de R$ 100 é possível adquirir uma”, conta.

Tem terminal sem fio que já vem com chip de celular incluído. Com conexão wi-fi e 3G. Capaz de integrar pagamentos com sistema de automação. Serviço de venda por meio de link em redes sociais. Com ou sem aluguel.

Foi de tanto “perder venda” e ser cobrada pela garotada na porta das escolas onde vende seu geladinho “gourmet”, na Pituba, que Renilda Nascimento, 36, resolveu, depois de buscar orientação no Sebrae, aderir à tecnologia das maquininhas, há cerca de dois anos.

Até então com um volume médio de venda em torno de 80 unidades, Renilda viu, em pouco tempo, esse número mais que dobrar e atingir a marca de 200 geladinhos vendidos em um único dia. Tamanha “saída” também a fez ampliar as opções de sabor: saltou de quatro para 66.

Vendedora de ‘geladinho’, Renilda Nascimento deixou de “perder venda” com alunos de escola
Vendedora de ‘geladinho’, Renilda Nascimento deixou de “perder venda” com alunos de escola

Sem “fiado”

“Eu tinha uma resistência inicial. Não queria pagar taxa, aluguel, nada. Mas eu sentia que deixava de vender muito, pois também não podia fazer fiado. E todo menino com 10 anos ou mais, nas escolas onde frequento, já tem cartão”, conta Renilda, que utiliza hoje um segundo tipo de terminal, dessa vez sem cobrança mensal.

Com cerca de 200 clientes que atende em casa, a esteticista e micropigmentadora (sobrancelha definitiva) Anna Benevides, 54, se viu na “obrigação”, há cerca de três anos, de usar máquina de cartão para poder receber pagamentos. “Os clientes começaram a pedir”, diz ela.

Segundo Anna, isso significou sair de uma média de seis atendimentos por semana para até 15 procedimentos. Com serviços que variam de R$ 40 a R$ 330, ela diz também ter sido uma segurança a mais o fato de deixar de circular com dinheiro em espécie.

“Pesquisei a mais fácil, com menos burocracia. Eu, por exemplo, só tinha conta-poupança e não queria uma [conta] corrente. Também não tenho CNPJ [Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica]. É melhor para todo mundo. Você não deixa de vender porque o cliente não tem dinheiro naquela hora. É muito mais seguro”, afirma Anna.

Facilidades à parte, o empresário precisa, contudo, redobrar a atenção com a administração do fluxo de caixa, bem como as datas de recebimento dessas vendas eletrônicas, alerta o consultor empresarial Fred Benzaquen.

“É quase que imperativo que quem atue no varejo ou no setor de serviço atualmente utilize [máquina de cartão]. Até por questão de sobrevivência. Quase ninguém mais usa dinheiro ou cheque. Mas, por exemplo, é um risco se antecipar recebíveis. Essa é uma operação de crédito que costuma, muitas vezes, atrapalhar a administração do caixa de empresa de qualquer porte”.

Dono de uma barbearia no Rio Vermelho e há 15 anos no ramo, Aécio Pereira só adotou a maquininha em seu negócio há dois. “Não queria compromisso com administradora de cartão”, diz. Mas não teve jeito e a pressão da clientela o fez dar o braço a torcer. Resultado: 90% do faturamento dele hoje passa pela leitora de cartão.

“O faturamento subiu tanto que deixei de ser microempreendedor individual e passei a médio empresário”, conta.

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