Muritiba: saiba como aconteceu tragédia de pai que matou filha e morreu depois

A morte de Lucival de Oliveira Rodrigues na noite desta quarta-feira (10), em Lauro de Freitas, Região Metropolitana de Salvador, três dias após ele matar com dois tiros a filha Michele, 10, e balear o filho de 5 anos, pôs fim a uma tragédia familiar motivada pelo ciúme.

Conhecido como “Buti da Rifa”, o homem de 33 anos foi encontrado morto pela Polícia Civil, em uma casa num condomínio do bairro Caji. Para a polícia, a hipótese principal é de que ele tenha tirado a própria vida.
A polícia chegou à casa onde Lucival estava após receber a informação de que ele havia se escondido no endereço. Não foi informado a quem pertencia o imóvel e Lucival foi encontrado sozinho. A arma usada contra os filhos não foi localizada.

Antes de chegar a Lauro de Freitas, ele foi visto em um posto de combustíveis em Cruz das Almas, onde abasteceu a moto, modelo Broz, e saiu sem pagar. Lucival não usava camisa ou capacete, apenas bermuda e sandálias.

A moto usada foi a que Lucival tinha colocado numa rifa cujo número do bilhete não foi sorteado. Quando isso acontece significa mais lucro e possibilidade de realizar outra rifa com o mesmo produto oferecido na anterior. Por isso, Lucival fez um churrasco para amigos e familiares e passou o domingo (7) se embriagando em casa.

Lucival atuava no distrito de São José, a 30 km de Muritiba e onde moram cerca de 8 mil pessoas. Ele residia com a família na localidade de Mil Peixes, a cerca de 5 km de São José. Todo mês ele promovia rifas, sempre de motos.

Repercussão
O farmacêutico Leandro Cardoso Pereira, 35, dono de uma farmácia em São José, disse que Lucival era uma pessoa aparentemente tranquila. Quase todos os dias estava no distrito, em busca de vender bilhetes de rifa.
Segundo colegas do ramo, Lucival estava atualmente, e pela primeira vez, com a rifa de um carro (modelo não identificado). Já tinha até vendido alguns bilhetes.

“Se ele fosse preso, poderia tentar recuperar, mas morto fica difícil”, disse o também rifeiro Danilo Menezes. A rifa era de R$ 20 e não se sabe ao certo quantos bilhetes foram vendidos. Menezes informou que Lucival vendia rifas também em outras localidades de Muritiba e, às vezes, em São José.

Lucival era casado há 12 anos com Darlene dos Santos Magalhães, uma dona de casa de 31 anos.

No momento, Darlene está com o filho no Hospital do Subúrbio, em Salvador, para onde ele foi levado após ser baleado no braço esquerdo pelo pai.

O CORREIO não conseguiu contato com ela, que ainda não prestou depoimento à polícia. O quadro de saúde do menino é estável.

Nascida e criada no distrito de São José, Darlene atuava também como diarista em pequenas propriedades rurais de Mil Peixes. Recentemente, ela tinha prestado serviços numa área agrícola da Prefeitura local.

“Tínhamos contato durante a infância e adolescência, depois ela cresceu e foi embora pra Mil Peixes, vinha aqui de vez em quando. É uma pessoa boa, tranquila”, disse Eliana da Paz, 33, balconista de uma farmácia no distrito de São José.

“Nós todos aqui estamos muito chocados com o que ocorreu com a família dela”, contou Eliana.

A menina Michele estudava na Escola Municipal Clementino Firmino de Oliveira, em São José. Ela estava no 5º ano. O CORREIO não conseguiu contato com a direção da escola. e a secretária municipal de Educação, Selma Conceição, preferiu não comentar o caso.

A investigação sobre o crime continuará mesmo com a morte dele, já que a polícia ainda precisa ouvir Darlene, que deve depor assim que o filho Michel receber alta do hospital.

Correio

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