‘Quadrilhão do MDB’: Geddel vai deixar presídio para acompanhar depoimentos

O ex-ministro é um dos réus na ação que investiga aliados do presidente Michel Temer

O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi autorizado pela juíza da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, Leila Cury, a deixar a Penitenciária da Papuda, nos dias 4 e 18 de dezembro, às 14h, para acompanhar as audiências da ação penal que investiga os ‘amigos’ do presidente Michel Temer – no caso chamado de “Quadrilhão do MDB”. A decisão foi assinada em 20 de novembro.

O processo, que tramita na 12ª Vara Federal de Brasília e já mudou de juiz por três vezes, tem como réus, além do baiano, o ex-deputado Eduardo Cunha, o doleiro Lúcio Funaro, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, o advogado José Yunes, o coronel aposentado da PM de São Paulo João Baptista Lima Filho e outros acusados de operar propinas em favor do MDB e do próprio presidente, sendo apontados como membros de uma “organização criminosa”.

Custo
Por meio da Lei de Acesso à Informação, foi solicitado à Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal (Sesipe) os custos para o deslocamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima até a Seção Judiciária do DF, uma vez que ele encontra-se preso no Complexo Penitenciário da Papuda desde setembro de 2017.

O órgão destacou que não possui “autonomia financeira e, portanto, não compete a ele estimar os custos”. No entanto, a Sesipe declarou que o cálculo para transportar um preso “envolve desde o valor médio de combustível utilizado nas viaturas até o gasto com segurança – agentes e veículos, além de outros elementos”.

Ao levar em consideração que, segundo a Subsecretaria, as escoltas do detento são realizadas em veículos tipo Blazer e S10, que utilizam gasolina, bem como que o salário médio mensal de um agente de escolta e vigilância penitenciária do Distrito Federal é R$ 3.326, aliando tudo isso à distância entre a Papuda e o local da audiência (60km ida e volta), é possível calcular o custo médio de deslocamento do ex-ministro até o local do depoimento.

Desta forma, cada deslocamento custa aos cofres públicos aproximadamente R$ 488 reais – o que envolve a diária dos três agentes que acompanham o político mais o combustível gasto no trajeto. Isso leva a um gasto de R$ 976 com duas audiências realizadas no mês de dezembro e apenas em uma das várias ações em que o baiano figura como réu – tanto no TRF1 quanto no STF.

Audiências
De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), um grupo ligado ao MDB na Câmara dos Deputados atuou em várias supostas irregularidades na administração pública, bem como na Caixa Econômica Federal.

O juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12ª Vara Federal de Brasília, determinou que no dia 4 de dezembro vão depor: o ex-diretor da Odebrecht, Cláudio Melo Filho, o ex-senador Delcídio do Amaral, os ex-executivos da Odebrecht Hilberto Mascarenhas e José Carvalho Filho, além de outros baianos, como o empresário Emílio Odebrecht e a publicitária Mônica Moura, mulher do publicitário João Santana.

Já o doleiro Alberto Youssef, o ex-ministro Antônio Palocci, o ex-senador Sérgio Machado, o doleiro Carlos Alexandre de Souza Rocha, o ex-executivo da Odebrecht Ariel Parente Costa e o ex-diretor da empreiteira João Antônio Pacífico Ferreira vão depor no dia 18 de dezembro.

O magistrado também tirou do rol de testemunhas o presidente Temer, o ex-diretor de Relações Institucionais do grupo J&F Ricardo Saud, os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha, além do empresário Joesley Batista dos Grupos JBS e J&F.

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