Indicação de Moro abala relação de Bolsonaro com Congresso

O convite e aceitação do juiz Sérgio Moro para comandar o Ministério da Justiça abalou a relação entre o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL) e o Congresso, aponta a coluna Painel da Folha de S. Paulo.

Integrantes de diversos partidos, da esquerda à direita, passando pelo centrão, dizem que a escolha foi vista como uma tentativa de emparedar o Legislativo, como se o agora ex-juiz fosse uma espada na cabeça de parlamentares.

Deputados e senadores lembram, porém, que fora do Judiciário Moro ficará exposto, suscetível a CPIs e convocações.
Contudo, politicamente, Bolsonaro marcou mais pontos com seu eleitorado e fortaleceu o discurso de que seu governo será intolerante com a corrupção.

Refém das escolhas

Durante toda esta quinta (1º), após a resposta de Moro, políticos repisaram um ditado dos bastidores do poder: “Nunca nomeie alguém que não possa demitir”. Agora, Bolsonaro tem dois superministros que, se decidirem deixá-lo, farão estrago: Moro, claro, e Paulo Guedes, o guru da economia.

Bolsonaro diz que Moro terá ‘carta branca’ para comandar a Justiça

O presidente eleito Jair Bolsonaro disse em entrevista coletiva nesta quinta-feira, 1º, que o juiz federal Sérgio Moro terá carta branca para comandar o Ministério da Justiça, que terá sob seu comando outros órgãos de controle, como “parte” do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ele disse também que “se o PT está reclamando da nomeação, eu fiz a coisa certa”. Advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva devem entrar com um pedido de habeas corpus para soltá-lo, usando como argumento a nomeação de Moro. Segundo eles, isso caracterizaria parcialidade do juiz.

“Foi decisão difícil, ele (Moro) vai abrir mão da carreira dele”, disse Bolsonaro. “É um soldado que está indo a guerra sem medo de morrer.”

O presidente eleito disse ainda que a Lava Jato continuará atuante mesmo sem Moro no comando da 13ª Vara de Curitiba. Bolsonaro também disse que o juiz segue cotado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) desde que ele tenha um substituto no MJ.

Questionado se Moro será um “xerife” de seu governo, o presidente eleito respondeu: “Se você quiser dar esse nome para ele…” Ainda de acordo com Bolsonaro, Moro teve o mérito, durante a Operação Lava Jato, de “colocar na cadeia gente que não pensou que passaria 10 minutos por lá.”

“O trabalho dele é muito bem feito. Em função do combate à corrupção, da Operação Lava Jato, as questões do mensalão, entre outros, me ajudou a crescer politicamente falando”.

Bolsonaro abordou outros temas da transição na coletiva. Ele confirmou que deve desistir da união dos Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente depois de setores do agronegócio terem alertado para o risco de sanções comerciais. “Não tenho problema de voltar atrás, mas será um ministro do Meio Ambiente do Bolsonaro”, disse. “Não vai ter trabalho de xiita no meio ambiente.”

O presidente confirmou a intenção de transferir a Embaixada do Brasil em Israel de Tel-Aviv para Jerusalém e disse que pretende fechar a representação diplomática nos territórios palestinos. “Temos respeito por Israel e pelo Mundo Árabe, não queremos problema com ninguém”, disse.

Bolsonaro disse também que irá para Brasília na terça-feira discutir a transição, mas voltará na quinta. Segundo ele, a bolsa de colostomia ainda lhe impõe restrições. Ele passará por cirurgia para retirá-la em 12 de dezembro.

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