Bolsonaro nega envolvimento, Haddad eleva o tom e desafia o “soldadinho de araque”

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) afirmou “não ter nada a ver” com as ações promovidas por meio do aplicativo WhatsApp contra seu adversário na corrida presidencial, Fernando Haddad (PT).

“Eu não tenho nada a ver com isso”, disse, ao ser questionado sobre o tema, neste sábado (20),

Reportagem da Folha publicada na quinta-feira (18) mostrou que empresas estavam comprando pacotes de disparos em massa de mensagens contra o PT no WhatsApp.

O tema tornou-se alvo de apuração da Polícia Federal, que abriu investigação neste sábado (20), após pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

“Eu não preciso de fake news arranjando dinheiro para jogar fora do Brasil. Dinheiro da onde? Eu não tenho esse tipo de contatos com bandidos. Quem tem é o PT.”

A declaração foi feita em entrevista concedida entre gravações do programa eleitoral, no Rio de Janeiro.

Bolsonaro afirmou que a Folha “há muito vem fazendo fake news” contra ele e citou as reportagens do jornal que revelaram a existência de uma funcionária fantasma em seu gabinete.

“Até a própria questão da Wal [Walderice Santos] em janeiro, ela estava de férias. Quem diz isso? O boletim da Câmara de 20 de dezembro.

A Folha baseou as reportagens sobre a funcionária fantasma em diversos indicativos, entre eles duas visitas à Vila Histórica de Mambucaba, distrito de Angra dos Reis (RJ) com pouco mais de 1.000 habitantes, local em que Walderice mora.

Todos os habitantes da pequena vila que foram entrevistados em janeiro e agosto disseram nunca ter ouvido falar de qualquer atividade legislativa de Walderice. Segundo eles, ela prestava serviços domésticos a Bolsonaro, que tem uma casa de veraneio no local. O marido de Wal é caseiro do candidato.

Apesar de pelos registros da Câmara ela ter tirado férias em janeiro, a Folha voltou à cidade em agosto, período em que ela deveria estar cumprindo carga horária diária de 8 horas em atividades legislativas, e comprovou que ela trabalhava, na verdade em uma lojinha de venda de açaí. Após essa segunda reportagem, Bolsonaro a exonerou do gabinete.

O presidenciável também não apresentou ou soube dizer nenhum exemplo específico de atividade legislativa prestava por Walderice desde 2003, ano em que aparece pela primeira vez nos registros da Câmara como secretária parlamentar de Bolsonaro.

Haddad eleva o tom, critica e desafia Bolsonaro

candidato à Presidência da República pelo PT, Fernando Haddad, engrossou às críticas ao seu adversário neste sábado (20). Em Fortaleza, na sua primeira viagem ao Nordeste em campanha no segundo turno das eleições, o candidato chamou Jair Bolsonaro (PSL) de “aberração” “soldadinho de araque”.

“A elite ficou dois anos procurando um candidato para representá-la. Acharam o que tem de pior no Congresso Nacional, uma aberração, que só fala em violência, só ofende”, disse. “Cada vídeo desse cara assusta uma parte da população”, completou.

Segundo Haddad, seu adversário foge de debates e tinha uma “armação” para ganhar no primeiro turno das eleições: “vem falar da minha família na minha cara. Vem falar dos meus bens na minha cara. Vem me enfrentar, soldadinho de araque. Não está preparado para ser presidente da República”, afirmou o candidato, que iniciou seu discurso entregando uma rosa vermelha à esposa, Ana Estela Haddad, que o tem acompanhado em praticamente todos os atos de campanha.

Denúncias
O presidenciável voltou a mencionar as suspeitas de que grupo de empresários que financiaria o envio em massa de mensagens falsas anti-PT na plataforma WhatsApp. “Agora caiu numa armadilha. Eles montaram uma organização criminosa para botar dinheiro sujo no Whatsapp. O Tribunal Superior Eleitoral e o Ministério Público agora abriram inquérito para investigar. Vocês devem conhecer muita gente que recebeu notícia falsa pelo Whatsapp e metade da população brasileira hoje se informa pelo celular e o Whatsapp redireciona para vídeos e mensagens mentirosas contra mim e a Manuela Dávila, nossa candidata a vice”, afirmou.

Haddad descartou ainda que o adversário participe de debates. “Como é que depois de ter me difamado, me caluniado, ele ainda vai participar de debate? Ele mentiu muito.”, disse.
Ato em Fortaleza

Na manhã deste sábado (20), Haddad fez uma caminhada no centro de Fortaleza ao lado do governador reeleito no Estado, Camilo Santana (PT), do candidato derrotao no primeiro turno à Presidência pelo PSOL, Guilherme Boulos e da presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, Gleisi Hoffman. Segundo a organização, cerca de 20 mil pessoas participaram do ato.

O evento teve a participação de apoiadores de vários partidos de esquerda, em clima de festa pelas ruas da cidade. Ainda nesta tarde, há previsão de encontro de blocos de rua em uma “campanha pela democracia”.

Para Guilherme Boulos, o segundo turno dessa eleição é uma “encruzilhada”: “O que está em jogo não é apenas duas candidaturas. O que está em jogo é a disputa entre democracia e ditadura. Entre direitos e privilégios. Por isso quero dizer aqui que qualquer diferença que existe entre nós é muito menor do que o nosso compromisso com a democracia e o Brasil”, assegurou.

Um dos organizadores do evento no Ceará, o governador Camilo Santana, afirmou que Haddad vai “governar tirando o ódio que está permeado pelo Brasil” e que é necessário “arregaçar as mangas para mostrar as fraudes do outro lado”, completou.

Os atos no Ceará foram organizados pelo deputado federal reeleito pelo PT, José Guimarães, com apoio de Santana. Durante o evento, Haddad afirmou que espera receber percentual próximo aos quase 80% dos votos que elegeram Santana no estado.

PDT
Haddad ainda agradeceu o apoio “crítico” do PDT, partido do candidato derrotado no primeiro turno Ciro Gomes. “O Ciro é um grande brasileiro. Mesmo sendo crítico, o apoio dele é muito importante. Os eleitores dele, 70% já estão votando conosco e eu para o Ceará buscar esses outros 30%”.

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