Após morte de capoeirista, Bolsonaro diz que não controla apoiadores

Candidato lamentou a violência, mas afirmou que intolerância vem ‘do lado de lá’

Após a morte do artista e mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, o Moa do Katendê, em Salvador, o candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) foi questionado sobre os atos de violência cometidos usando seu nome e disse que os episódios são “casos isolados” que ele “não tem como controlar”. O capoeirista foi morto por um homem depois de uma briga por conta de Bolsonaro. Ele saiu do bar onde discutiu, voltou para casa, pegou uma faca e voltou para atacar Moa.

“Como o senhor vê esses atos de violência que têm sido cometidos com o nome do senhor, em apoio ao senhor?”, quis saber um jornalista, em vídeo publicado pelo Uol. Bolsonaro primeiro diz que a pergunta deveria ser invertida.

“Quem levou a facada fui eu, pô. O cara lá que tem uma camisa minha e comete um excesso, o que é que eu tenho a ver com isso?”, questiona. “Eu lamento. Peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle sobre milhões e milhões de pessoas que me apoiam”, disse

Ele afirmou ainda que a intolerância vem do outro lado da disputa. “Eu sou a prova, graças a Deus, viva disso daí”, comentou, em nova menção à tentativa de homicídio que sofreu em Juiz de Fora, em setembro, quando foi atingido por uma facada durante uma caminhada de campanha.

Para Bolsonaro, o clima do país não está “tão bélico assim”. “Está um clima acirrado, pela disputa, mas são casos isolados que a gente lamenta e espera que não ocorram”, finaliza.

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Violência
Moa do Katendê foi morto pelo barbeiro Paulo Sérgio Ferreira de Santana, 36 anos, na madrugada de segunda, depois de uma briga com motivação política. Os dois estavam no bar no que Pequeno, no Engenho Velho de Brotas, quando o capoeirista discordou da defesa de Bolsonaro que Paulo Sérgio fazia.

De acordo com a delegada, o barbeiro argumentava com o dono do estabelecimento que era preciso haver mudanças no Brasil, quando o capoeirista interrompeu a conversa se mostrando contrário as suas ideais.

“O que se sabe é que o crime tem relação política. A vítima teria se intrometido e, após uma rápida confusão, Paulo Sérgio foi em casa e retornou golpeando o capoeirista. Ele disse, em depoimento, que apoiava o candidato de direita”, conta Milena Calmon, que investiga em casa.

Após esfaquear a vítima até morte, o barbeiro, durante a confusão, acabou esfaqueando também o primo do capoeirista. Germínio do Amor Divino Pereira, 51, foi atingido com um golpe de faca no braço direito. Ele foi socorrido para o Hospital Geral do Estado (HGE), onde passou por uma cirurgia. Ele não corre risco de morte, continua em observação e, segundo a família, sem previsão de ser ouvido pela polícia.

Logo depois de matar o capoeirista, o barbeiro fugiu do local em direção à sua residência. Alguns moradores seguiram atrás dele, mas a polícia, minutos depois, conseguiu arrombar a sua casa, o prendendo dentro do banheiro. Ele teve a prisão convertida em preventiva nesta terça (9) e vai responder por homicídio duplamente qualificado.

Já no próprio dia da eleição, uma jornalista de Recife contou que foi agredida e ameaçada de estupro depois de votar por dois homens, um deles com a camisa de Bolsonaro. Ela afirmou que os dois a agrediram quando identificaram pelo crachá que ela era jornalista. O caso é investigado pela polícia pernambucana.

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