Pai de todos os tipos, amor sem igual

Existem vários perfis de pai. Do casado ao solteiro, passando pelos “grávidos” e os de primeira viagem, todos no entanto, conservam uma mesma característica: o amor pelos filhos. Em comemoração ao Dia dos Pais, reunimos histórias sobre diversos tipos de “papais” baianos e os seus sentimentos quanto a criação dos seus herdeiros.

Casado há quatro anos com a farmacêutica Juliana Machado, o orçamentista técnico Paulo Machado conta que o nascimento da sua filha única, Maria Luiza provocou um misto de emoções. “Desde a gravidez, eu ficava apreensivo a cada exame e ultrassonografia. O nascimento foi o ponto alto, onde toda aquela tensão dos nove meses se realizou. Eu lembro que no dia eu chorava, sem pensar em nada, só me vinha a vontade de chorar mesmo. Você fica imaginando os detalhes e torcendo para que tudo aconteça bem”, diz.

E deu certo. Um ano depois, Paulo já comemora o seu segundo Dia dos Pais, data que define como maravilhosa, pois reafirmou a noção de que ele já possuía uma família. E não à toa, ele faz jus ao papel de pai e divide com a esposa toda a rotina de cuidados da pequena “Malu”. “Dentro do coração de cada pai, deve bater essa certeza de participação e amor pelo filho”, afirma.

Para o designer gráfico Matheus de Paula, também está sendo difícil segurar as emoções. Fruto de um relacionamento com a namorada Marília Sena, Miguel já está pertinho de chegar, estando com 9 meses de geração. A novidade, claro, vem acompanhada por outros sentimentos, algo que Matheus experimenta com muita felicidade. “A expectativa é gigantesca. É uma mistura grande de ansiedade e curiosidade. Tudo é muito novo. É inexplicável a sensação de saber e sentir que vem alguém que vai depender de você e de sua criação. É bem louco mas é muito bom”, comenta.

O designer gráfico Matheus está ansioso para a chegada de Miguel
O designer gráfico Matheus está ansioso para a chegada de Miguel

Apesar da ficha de que é pai ainda não ter caído, o designer gráfico explica que já tem diversos planos para Miguel, e que eles foram passados de geração para geração em sua família.“ Vou ensinar os princípios básicos como educação, bom caráter, respeito… E principalmente a ser rubro-negro, né? (risos). Essa foi a educação que aprendi com meu avô e com meu pai, e quero que ela se perpetue sobre meu filho”, declara. Estar presente na rotina da criança também é algo que Matheus já garantiu que fará.

Dedicada a eternizar os momentos em família através de fotos, a fotógrafa Leila Lopes diz que nota durante os trabalhos, um crescimento da participação dos homens. Ela realiza diversos tipos de ensaios familiares e conta que a procura dos pais por este tipo de trabalho em alguns momentos supera a da mãe.

“Nos últimos anos vêm crescendo o número de pais que tomam a iniciativa de procurar os ensaios. É bastante engraçada a participação deles, pois geralmente começam dizendo que não gostam, mas quando as fotos vão sendo feitas, chegam a participar mais que a mãe dando opiniões, sugerindo poses e fazendo brincadeiras”, comenta.

A fotógrafa Leila diz que cada vez mais pais estão procurando ensaio fotográficos familiares
A fotógrafa Leila diz que cada vez mais pais estão procurando ensaio fotográficos familiares

Paternidade do coração

Não é novidade para ninguém que genética não define amor. E isso também vale para a paternidade. O diretor artístico Fred Soares e a sua filha, Lis Bella de apenas um ano e cinco meses são provas vivas disso. Determinado, Fred, que também se considera pai da sua cadela, a poodle “Bella”, conseguiu em dois meses e meio superar a fila de adoção, e já convive com ela desde o seu nascimento. A decisão veio para reavivar sentimentos dentro de si e expressar gratidão pela vida que levava.

“Estava vivendo uma fase de transformação, na qual havia me desmotivado com a vida devido ao término de um relacionamento. Eu me sentia sozinho, e queria ter alguém que falasse por mim no futuro. Também era uma forma de retribuir ao universo todas as oportunidades que ele me deu. A adoção me ensinou que a verdadeira felicidade custa pouco”, avalia.

Solteiro, o diretor artístico, diz ser tranquila a rotina de cuidar sozinho da filha, e entre restrições e liberações da vida cotidiana, define a educação que dá como “alavontê”, pois afirma saber equilibrar liberdade e rigidez, especialmente em situações em que Lis exagera, a exemplo da sua paixão por comida. “Ás vezes, quando ela quer comer algum doce, sempre digo que sua sorte é não ter mãe, e sim, um pai bacana”, diverte-se. Segundo ele, outra característica da sua criação é a clareza, e que diante disso, já explicou a menina, que os laços deles não são de sangue, circunstância que ambos consideram indiferente para que haja amor.

Fred e suas duas filhas do coração: a poodle
Fred e suas duas filhas do coração: a poodle “Bella” e a pequena Lis Bella

Pai e mãe ao mesmo tempo

Na criação solteira, ao lado de Fred, está o diretor e editor de vídeo, Marcelo Villanova. Devido a um divórcio, é ele quem cuida sozinho do filho Tito, de 10 anos, desde os seus seis meses de idade. Apesar de conviver mais a fundo com o filho, a decisão também acabou trazendo diversas dificuldades.

“É difícil pra caramba, como eu, de certa forma imaginei que seria. Até hoje é uma luta, pois sou eu quem faço tudo, como acordar cedo, levar para a escola, lavar a roupa, fazer o jantar, ler para ele, ou seja, cansaço físico. Além disso, tem a questão da atenção, pois mesmo que eu a dê, ainda sinto que não consigo preencher totalmente”, lamenta.

Pai de Tito, Marcelo diz que criar o menino sozinho é uma conquista
Pai de Tito, Marcelo diz que criar o menino sozinho é uma conquista

Porém, em meio às adversidades, Marcelo diz que diferentemente dos casos de mães solteiras, as pessoas costumam sentir admiração pela criação de Tito. Para ele, criar Tito sozinho também representou uma vitória que o fez até mesmo melhorar como pessoa.

“Poder cuidar dele é uma conquista. Apesar das questões rotineiras, eu lido muito bem com isso, e me sinto mais forte, mais maduro e mais homem. Nenhuma das experiências que já tive me fez sentir tão forte e corajoso quanto o fato de ter criado o meu filho sozinho. O Tito é a minha maior aventura”, afirma.

Do outro lado, Fred endossa que apesar dos eventuais problemas da criação solteira, eles se encontram longe de superar os benefícios de se ter a companhia de um filho. “O que a gente deixa de fazer, é muito pouco diante do muito que a gente recebe”. E mais, afirma que o Dia dos Pais deve ser vivido todos os dias. “Sou pai todos os dias, em nossa casa, a todo momento, então, ontem, hoje amanhã, e todos os demais dias também serão dia dos pais”, analisa.

À Matheus e aos futuros pais de plantão, assim como os que já estão formados no ofício, Paulo complementa com um conselho. “Aproveitem seus filhos, e sejam pais de verdade. O Dia dos Pais não deve ser meramente uma data comemorativa, e sim a expressão maior de uma realidade de amor e cuidado com os filhos”, adverte.

Paulo diz que pais precisam estar presentes e dividir os cuidados na vida com os filhos
Paulo diz que pais precisam estar presentes e dividir os cuidados com os filhos

*Sob supervisão de Maiara Lopes

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