Guerra de espadas deixa cerca de 40 pessoas feridas em Cruz das Almas

Desde o início do mês de junho até este domingo (24), 40 pessoas foram atendidas na Unidade de Pronto Atendimento (Upa) da cidade de Cruz das Almas, a cerca de 145 km de Salvador, vítimas de queimaduras provocadas por espadas de fogo.

De acordo com dados divulgados pela secretaria Municipal de Saúde, cinco vítimas deram entrada na unidade de saúde somente no sábado (23), véspera de São João. Uma delas precisou ser transferida para a Unidade de Tratamento de Queimados (UTQ) do Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus. O estado de saúde do paciente não foi divulgado.

Em Cruz das Almas, a guerra de espadas é proibida por lei, no entanto é vista em vários pontos da cidade, mesmo com constantes apreensões feitas pela Polícia Militar.

Imagens gravadas por um visitante na tarde deste domingo, 24, mostram a prática ocorrendo em plena luz do dia. O fato foi registrado na rua Dr. Edmundo Leite, onde um grupo de pessoas realizava a guerra de espadas sem se preocupar com os veículos que trafegavam pela via nem com os que estavam estacionados.

Além de correrem o risco de queimaduras, os participantes também podem provocar danos aos moradores das localidades em que a guerra de espadas é realizada. “Colocamos tela para (as espadas) não entrarem em casa. Elas sobem a uma altura e caem no telhado. Ninguém controla, tem de todos os tamanhos e o povo compra as dúzias”, disse um morador, que não quis se identificar.

A guerra de espadas foi proibida no município em 2011, quando a juíza Luciana Amorim Hora, da Vara Criminal de Cruz das Almas acatou a ação pública ajuizada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). Apesar disto, os praticantes mantêm a tradição, que todos os anos deixa vítimas de queimaduras.

Com a proibição, as polícias Militar e Civil foram autorizadas a apreender a espada e prender em flagrante quem fizer o uso dela, conforme determina o artigo 16 da Lei 10826/03, do Estatuto do Desarmamento. A pena é de 3 a 6 anos de reclusão.

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