Pescadores realizam protesto após vazamento de óleo em Candeias

Mais de 150 pescadores se reúnem em protesto desde o início da manhã desta segunda-feira, 11, em frente ao rio São Paulo, no município de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (RMS). Eles impedem a saída dos caminhões da Petrobras que estão removendo os resíduos do óleo que vazou na última sexta, 8.

A marisqueira Marizélia Lopes, que participa da manifestação, conta que há mais de 40 profissionais da Petrobras realizam o serviço desde a sexta, o que não seria o correto. “A retirada precisa ser feita por uma empresa especializada, e a Petrobras está colocando seus funcionários para realizar o trabalho”, protesta ela.

A marisqueira afirma que ainda há grande quantidade do produto na lama e na água do rio, o que preocupa que trabalha e reside na região. O grupo está no local desde 8h30 e até o momento nenhum responsável da Petrobras tentou contato com os manifestantes.

 

Entenda um caso

O vazamento de um duto da Petrobras provocou danos ambientais no município de Candeias, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), ao espalhar um metro cúbico de óleo pelo rio São Paulo. O fato ocorreu neste sábado, 9, mas ainda causa prejuízos à fauna da região e aos moradores, sobretudo os pescadores e as marisqueiras que tiram seu sustento do rio e do manguezal, que também foi afetado pelo vazamento.

A situação foi denunciada pela marisqueira e militante do movimento de pescadores Marizélia Lopes. Ela explica que o vazamento foi percebido por um pescador, que também detectou a chegada do óleo ao manguezal.

“Hoje (domingo) pela manhã, alguns pescadores foram até o rio e registraram a mancha. Nossa preocupação é que, quanto mais esse óleo ficar na água, a maré vai levar para mais longe. Isso afeta a Ilha de Maré e as comunidades de Madre de Deus e Candeias”, ressalta.

Em nota, a Petrobras afirmou que, ao detectar o vazamento no duto, interrompeu a produção da linha e iniciou a limpeza da área. “Equipes de monitoramento ambiental já se encontram no local. A Petrobras ressalta que não houve danos a pessoas e que comunicou o ocorrido aos órgãos competentes”, afirma a empresa.

Entretanto, Marizélia enfatiza que cerca de 90% dos quase 10 mil moradores da Ilha de Maré depende do pescado para sobreviver. “O primeiro impacto é que os caranguejos somem. As famílias que dependem da coleta do caranguejo ficam semanas sem conseguir trabalhar”, diz ela, que planeja uma manifestação para a manhã desta segunda-feira, 11, junto com outros moradores, para exigir mais fiscalização na área.

“Este mês tem duas datas importantes para a nossa cultura: o dia do meio ambiente e o dos pescadores. E é esse presente que a gente ganha em nome do desenvolvimento e das grandes empresas. É preciso que os governantes façam algo e fiscalizem”, afirma.

A reportagem tentou contato com a assessoria de comunicação do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos na tarde deste domingo, 10, mas não obteve êxito.

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