Governo decide usar Forças Armadas para liberar estradas

Diante da proporção que está tomando o movimento grevista dos caminhoneiros, o governo federal decidiu que vai usar as Forças Armadas para desobstruir as estradas bloqueadas por caminhoneiros. O presidente Michel Temer fez um pronunciamento para falar sobre a greve e fazer uma avaliação da situação.

De acordo com o jornal O Globo, além das Forças, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar também serão acionadas, “onde for possível”. O general Eduardo Villas Bôas determinou a imediata mobilização de todo o efetivo da força para ser empregada da liberação de rodovias. Os homens dos diferentes batalhões espalhados pelo país já foram mobilizados. Na noite de ontem, o comandante Villas Bôas realizou uma videoconferência com todos os sete comandantes militares de área do Exército — comandos militares da Amazônia, Norte, Nordeste, Oeste, Leste, Sudeste e Sul — para tratar do assunto.

A Polícia Federal vai investigar a possibilidade de locaute – participação dos patrões – na paralisação dos caminhoneiros, que entrou nesta sexta no quinto dia, apesar do acordo firmado na noite de quinta (24). Mesmo com a câmara de compensação proposta pelo governo, que manterá, por meio de subvenções bancadas pelo Tesouro, o preço do diesel estável para os distribuidores, o que se constata nesta sexta é a ampliação dos pontos de retenção das estradas e não a redução do movimento, como esperava o governo federal.

Locaute é caracterizado quando empresários de um setor contribuem, incentivam ou orientam a paralisação de seus empregados. Ou seja, é uma greve liderada pelos patrões, com o intento de obtenção de benefícios para o setor, o que é proibido por lei.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, a avaliação do próprio governo é de que o Planalto subestimou a proporção que a mobilização poderia tomar, um erro do sistema de inteligência, que é comandado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Em nota, as centrais sindicais brasileiras criticaram a decisão do governo e se ofereceram para mediar a negociação. Segundo as lideranças, convocar as forças armadas para deter a greve, “é querer apagar fogo com gasolina, ou seja, só acirra e dificulta uma solução equilibrada”, afirma o texto.

‘Uso da força vai gerar resistência’, diz associação de caminhoneiros

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, classificou como tardio o pronunciamento do presidente Michel Temer para tentar solucionar a crise de abastecimento gerada pela paralisação dos motoristas. Para o líder da entidade que não concordou com o acordo firmado na quinta-feira, 24, o uso da força citado por Temer vai tornar ainda mais difícil o fim da paralisação.

“O uso da força vai tornar ainda mais difícil acabar com a mobilização porque essa estratégia vai gerar resistência”, disse o presidente da entidade ao Broadcast. serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. Para Fonseca, se forças de segurança tentarem retirar caminhoneiros a força, “haverá gente presa, machucada e muita confusão”.

“Essa foi uma reação tardia e acontece cinco dias após o início do movimento. A situação não precisaria do uso da força para ser resolvida”, disse. Fonseca rejeita a afirmação de Temer que apenas uma “minoria radical” segue na estradas. “O número de manifestantes mostra que não somos minoria. Ao contrário, somos a maioria do movimento e que não está de satisfeito com o acordo feito ontem”, disse o dirigente.

PF já está investigando eventual locaute em greve de caminhoneiros

A Polícia Federal informou nesta sexta-feira, 25, que já está investigando se existe ou não a prática de locaute na paralisação dos caminhoneiros, que entrou hoje no quinto dia, apesar do acordo firmado na noite de ontem entre o governo federal e a categoria. A prática de loucate é caracterizada quando empresários de um setor contribuem, incentivam ou orientam a realização de greve de seus empregados com o objetivo de obter benefícios, o que é proibido por lei.

“Em relação ao movimento de paralisação dos caminhoneiros, a Polícia Federal informa que já está investigando a associação para prática de crimes contra a organização do trabalho, a segurança dos meios de transporte e outros serviços públicos”, diz a PF em nota à imprensa.

A informação sobre a investigação da PF nesse caso foi antecipada mais cedo pelo jornal “O Estado de S. Paulo”. Se comprovada a liderança do empresariado no movimento, os acusados poderão ser enquadrados no crime de apologia ao crime.

Nos bastidores, o que o governo considera é que há todo um contexto de locaute porque o movimento, que, no passado já ocorreu em proporções menores, agora veio com uma força desproporcional, após impasse entre patrões e empregados, caminhoneiros e donos de empresa. Portanto, a tese é de que, como não conseguiram chegar a um acordo, os caminhoneiros avisaram que iam parar porque não estavam concordando com preços recebidos, por causa da alta do combustível, e eles, empresários, teriam dado apoio.

Um interlocutor do Planalto diz haver uma crítica interna de que, com o movimento chegando a esse ponto, o governo se viu obrigado a fechar um acordo. Uma fonte ouvida pelo jornal comentou que quem acabou ditando a nova política do combustível foram os empresários do setor. “O acordo não foi bom”, disse essa fonte, advertindo que o governo não pode negociar com a faca na cabeça, e foi o que ocorreu.

A possibilidade de locaute começou a ser pensada na última terça-feira, quando a paralisação ganhou dimensão nacional. O quadro foi agravado, e muito, a partir da quarta-feira.

O governo reconhece que a gravidade da situação subiu alguns andares neste momento e a tensão aumenta no Planalto. No último domingo, quando foram realizadas as primeiras reuniões com o presidente Michel Temer, no Palácio do Jaburu, nem ele nem seus ministros imaginavam que a situação pudesse chegar onde chegou, com tendência de agravamento ainda maior, sem precedentes no País.

Por enquanto, todos no governo estão cautelosos e falam apenas em “indícios”, “possibilidades” de loucate e não querem fazer acusações diretas. Sabem que também é grande a mobilização dos caminhoneiros autônomos. E já há outros segmentos aderindo aos protestos, por causa do preço da gasolina.

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