Combustível deve acabar nos postos de Salvador nesta sexta e preços na Ceasa sobem com falta de abastecimento

No quarto dia de manifestações dos caminhoneiros, os transtornos seguiram em todo o Brasil. Entre eles, a falta de produtos no Centro de Abastecimento (Ceasa) de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), que já está causando a falta de alimentos e a alta repentina dos preços que atingem consumidores e comerciantes.

“Apesar de ser favorável ao protesto, é preciso entender que é uma situação mais complexa e que não vai se resolver de uma hora para outra. Por conta disso, os preços já subiram e, alguns casos, o valor cobrado chegou a dobrar, já que os caminhoneiros não conseguem chegar nas feiras para abastecer. É preciso existir um consenso”, afirmou Júnior Alves, filho de comerciantes da Ceasa, em Simões Filho.

Para o comerciante Josias de Jesus, a falta de produto segue prejudicando as vendas. “Eu vendo abacaxi e melão. Hoje, deu para trabalhar, mas tive que aumentar os preços e os consumidores já estão reclamando. Esperança em Deus que as coisas melhorem”, afirmou.

Estoque

Apesar de não aumentar os valor dos produtos, o comerciante Joselito, conhecido como Miúdo do Abacaxi, afirmou que as mercadorias estão acabando e não vai ter mais o que vender. “Eu mantive o preço, e vendo abacaxi graúdo por R$2,50 e, médio, por R$ 1,50, mas a mercadoria está acabando e quando isso acontecer, não vai ter mais o que vender”, disse.

Além dos comerciantes, os consumidores, também, reclamam pela alta repentina de preços. “Eu vim aqui comprar, mas acabei desistindo. Tudo caro”, afirmou Andreia Oliveira. De acordo com ela, a medida que os produtos estão acabando, os preços estão subindo. “O cento do milho era R$40 e, agora, R$ 60. Está tudo está subi ndo”, garante ela.

Para o comerciante Jean Fortunato, a expectativa é que o movimento piore nos próximos dias. “O movimento está fraco. Amanhã, deve ser mais ainda. Não tem mercadoria e a tendência é que o preço aumente mais ainda, caso a mobilização continue”, afirmou o comerciante.

Combustível deve acabar nos postos de Salvador nesta sexta, diz sindicato

O combustível deve acabar nos postos de combustível de Salvador ainda nesta sexta-feira, 25. A previsão é do presidente do Sindicombustível, Walter Tannus. De acordo com ele, apenas 20% dos estabelecimentos ainda possuem gasolina e etanol na capital baiana.

A situação é ainda mais crítica em algumas regiões do interior da Bahia, que já estão sem combustível. É o que acontece em Ilhéus, Itabuna, Capim Grosso e região do extremo-sul da Bahia.

Sem conseguir comprar combustível, por conta da greve dos caminhoneiros, diversos postos amanheceram sem o produtos nesta sexta, 25. É necessário paciência para conseguir combustível nesta manhã, já que os estabelecimentos que ainda estão abastecidos estão com longas filas para atender o público, como ocorre no posto BR da Avenida Paralela, que está com fila desde às 6 horas.

O vendedor Fábio Ricardo conseguiu abastecer depois de passar por seis postos na Paralela e dois no Imbuí. “Fiquei 50 minutos na fila e o frentista disse que só tinha mais 2 mil litros de gasolina comum no estoque. Ou seja, não vai dar para abastecer tanta gente que está na fila”, contou.

O movimento de motoristas buscando abastecer na avenida Dorival Caymmi, em Itapuã, começou antes de 6 horas, quando os estabelecimentos da região ainda estava fechados. O mesmo ocorreu em outras regiões de Salvador, como avenida Tancredo Neves, Pernambués, Paralela, orla.

Segundo Walter Tannus, não há como dizer quais postos ainda possuem combustível, uma vez que esse cenário muda a todo momento. Ele ainda afirma que é necessário reserva combustível para situações de emergência. “Estamos fazendo um apelo aos revendedores para que guardem uma parte para destinar às ambulâncias e viaturas da polícia e bombeiros”.

Caminhoneiros

O desabastecimento dos postos é consequência da greve dos caminhoneiros, iniciada na última segunda. A categoria faz bloqueios nas rodovias de todo país, inclusive da Bahia, impedindo a passagem de veículos de carga. Nesta quinta, 24, foi anunciado um acordo com o governo, mas mesmo assim os caminhoneiros mantêm os protestos nas estradas.

 

 

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