Nova série brasileira da Netflix, o Mecanismo causa polêmica política

Inspirada na Operação Lava Jato, a mais nova série brasileira da Netflix, O Mecanismo, vem causando debates acalorados nas redes sociais.

Dentre as críticas dirigidas à produção assinada por José Padrilha e estrelada por Selton Mello, está o fato de o personagem inspirado no ex-presidente Lula utilizar a frase “estancar a sangria”, dita na verdade pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) em um áudio divulgado ao público em 2016.  Ele se referia aos esforços para deter os trabalhos da Operação Lava Jato.

No domingo (25), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) divulgou nota criticando a Netflix e, principalmente, o diretor José Padilha, a quem acusou de “desonestidade intelectual”. Ela disse que, apesar de O Mecanismo se dizer “baseada em fatos reais”, o cineasta distorce a realidade, propaga mentiras e pratica o “assassinato de reputações”.

Sobre a frase do senador Romero Jucá atribuída a Lula na série, Dilma escreveu: “Jucá confessava ali o desejo de ‘um grande acordo nacional’. O estarrecedor é que o cineasta atribui tais declarações ao personagem que encarna o presidente Lula”.

A ex-presidente comparou a narrativa a outros fatos da história mundial. “É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima. Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os Estados Unidos. Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954”.

A petista finaliza dizendo reiterar o respeito pela liberdade de expressão e manifestação artística, mas exigindo que a série se assuma como uma obra de ficção. “É forçoso reconhecer que se trata de ficção. Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em distorções reais, em ‘fake news’ inventadas”, diz.

O criador da série, José Padilha, falou sobre a polêmica com a fala de Jucá. “Jucá não é dono dessa expressão (estancar a sangria)”, diz, ressaltando que não foi ele particularmente quem roteirizou ou dirigiu o episódio em questão, embora tenha supervisionado. “‘O Mecanismo’ é uma obra-comentário. Na abertura de cada capítulo está escrito que os fatos estão dramatizados, se a Dilma soubesse ler, não estaríamos com esse problema”, afirmou ele para a Folha de S. Paulo.

Em vídeo divulgado pela Netflix nesta segunda-feira (26),  Padilha e o elenco explicam o título da obra. “Esse mecanismo existe em todos os lugares, só muda a forma, o jeito, como acontece, mas corrupção, ganância, a luta pelo poder, os desfavorecidos sendo cada vez mais desfavorecidos, isso acontece em todo lugar do mundo”, diz Selton Mello, que vive o delegado Marco Ruffo.

“Acho que a maior mensagem da série é justiça, a gente poder viver em um país melhor”, acrescenta o ator.

A série O Mecanismo, com direção de Padilha e roteiro de Elena Soares, é inspirada no livro Lava Jato – O Juiz Sergio Moro e Os Bastidores da Operação Que Abalou O Brasil. Distribuída em oito episódios, ela faz referência a fatos e personagens oinvestigados na operação, mas usa nomes fictícios para pessoas, empresas e até corporações.

O cineasta José Padilha, criador da série O Mecanismo, da Netflix, rebateu as críticas da ex-presidente Dilma Rousseff, que havia afirmado em nota que Padilha é um “criador de notícias falsas” e a série é “mentirosa”. O diretor respondeu : “Na abertura de cada capítulo, está escrito que os fatos estão dramatizados. Se a Dilma soubesse ler, não estaríamos com esse problema”.

Dilma havia feito críticas também à Netflix: “Netflix não pode fazer campanha política. Vou falar para as lideranças políticas que eu encontrar (…) A direção da Netflix não sabe onde está se metendo. Não vejo por que uma estrutura como aquela se meter onde está se metendo”. Inspirada na Lava Jato, a série vem causando debates acalorados nas redes sociais e alguns usuários da Netflix afirmaram que vão cancelar sua assinatura, alegando que a produção distorce a realidade.

Dentre as críticas, está o fato de o personagem inspirado no ex-presidente Lula utilizar a frase “estancar a sangria”, dita na verdade pelo senador Romero Jucá (MDB-RR). Padilha comentou, dizendo que o emedebista não é dono dessa expressão [estancar a sangria]” e que, portanto, roteiristas estão livres para usá-la.

A ex-presidente comparou a narrativa a outros fatos da história mundial. “É como se recriassem no cinema os últimos momentos da tragédia de John Kennedy, colocando o assassino, Lee Harvey Oswald, acusando a vítima. Ou Winston Churchill acertando com Adolf Hitler uma aliança para atacar os EUA. Ou Getúlio Vargas muito amigo de Carlos Lacerda, apoiando o golpe em 1954”.

A petista finaliza dizendo reiterar o respeito pela liberdade de expressão e manifestação artística, mas exigindo que a série se assuma como uma obra de ficção. “É forçoso reconhecer que se trata de ficção. Caso contrário, o que se está fazendo não está baseado em fatos reais, mas em fake news”.

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