Fechamento de fábrica da Petrobras afetará pelo menos 15 empresas na Bahia

O anúncio do fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados da Bahia (Fafen-BA), localizada no Polo Industrial de Camaçari, impactará no funcionamento de pelo menos 15 fábricas. A Fafen, que é administrada pela Petrobras, produz ureia, amônia e gás carbônico e teve sua parada anunciada no início dessa semana.  Os dirigentes dessas unidades e autoridades públicas estão debatendo o assunto e temem impactos na produção.

Em nota, a Petrobras afirmou que o abastecimento do mercado de ureia fertilizante será feito por importação, “sem prejuízo para as companhias misturadoras de adubo, e disse que realizará investimentos no Porto de Aratu para viabilizar a importação de amônia e o atendimento ao Polo Petroquímico de Camaçari. Para CO2, há alternativas de suprimento no Polo.

Para o diretor industrial da Carbonor, Ascanio Muniz Pepe, a solução apresentada pela Petrobras não é tão simples quanto parece. A empresa é uma das 15 que serão afetadas pelo fechamento da Fafen-BA e, atualmente, importa 100% do gás carbônico utilizado na produção.

“Esse assunto precisa ser debatido com mais profundidade, porque o posicionamento da Fafen foi muito simplista, como se o efeito fosse mínimo, mas não é nem para as empresas nem para as pessoas. Estamos trabalhando para não pararmos nossa produção, temos algumas alternativas, mas essa medida afeta os negócios”, disse.

O diretor contou que o efeito dessa medida impacta diretamente na produção de algumas empresas e pode resultar na redução de postos de trabalho, mas disse que será preciso analisar caso a caso. Em relação a Carbonor, ele disse que os dirigentes ainda vão discutir as mudanças. A empresa também vai solicitar uma reunião com representantes da Fafen-BA nos próximos dias para debater o assunto.

Além da Bahia, a Fafen de Sergipe também será fechada. A Petrobrás informou que o fechamento das duas fábricas está previsto para acontecer até o final dos primeiros semestres deste ano.  Um plano detalhado deverá ser divulgado em abril.

Na Bahia, cerca de 700 empregos serão afetados por conta da medida. Só no ano passado foram cerca de R$ 200 milhões de prejuízo na unidade baiana e outros R$ 600 milhões no estado vizinho.

Governo
Nesta quarta (21), a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE) reproduziu uma nota do governador Rui Costa sobre o caso. Ele disse que recebeu a notícia com preocupação e indignação, e criticou a decisão, que chamou de “inconsequente e irresponsável”, por não pensar nos interesses nacionais.

O petista disse também que vai se mobilizar junto à bancada baiana de parlamentares no Congresso Nacional, e que vai conversar com o governador de Sergipe para reagirem contra essa medida.

“Trata-se de uma resolução do governo federal, que segue na contramão dos interesses não apenas da Bahia e de Sergipe, mas de toda a cadeia do Agronegócio do País, na medida em que estará contribuindo para o desmonte do fornecimento dos principais fertilizantes empregados no campo, levando o segmento a tornar-se cada vez mais dependente dos grupos multinacionais com sede no mercado externo e, consequentemente, dos preços cotados na moeda americana”, diz a nota.

Mobilização
As autoridades do município de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, também se manifestaram sobre o fechamento da fábrica. Nesta quarta, o prefeito Elinaldo (DEM) e o presidente da Câmara de Vereadores, vereador Oziel (PSDB), foram até o Rio de Janeiro para debater com o diretor-executivo de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, sobre o fechamento da Fafen. O encontro está marcado para o final da tarde.

Já o Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro) vai se reunir no Senado Federal para discutir a mobilização da questão na Casa. Além da Bahia e de Sergipe, os parlamentares do Paraná também vão participar do encontro, estado em que fábricas estão sendo fechadas pela Petrobras. O encontro está marcado para o final da tarde.

Os deputados da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) também vão discutir o assunto. Na edição desta quarta-feira do Diário Oficial do Legislativo, o presidente da Casa, Angelo Coronel, informa sobre a realização de uma sessão especial para debater a decisão que ele classificou como “medida nefasta”. O encontro também vai servir para pressionar o Governo Federal e a Petrobras a repensarem a questão.

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