Salvador: Polícia suspeita de negligência na morte de menino em piscina de escola

Esta quinta-feira, 15, era o primeiro dia de aula do pequeno Victor Figueredo de Andrade Santos, de 2 anos e nove meses, na Escola Construir, situada no Cabula 6 (VI), em Salvador, após as férias de final de ano. Como era costume desde o ano passado, os pais dele o deixaram pela manhã na unidade escolar e retornariam para pegá-lo, no final da tarde.

A rotina familiar, no entanto, foi subitamente interrompida nesta manhã. Victor se afogou na piscina da escola, por volta das 10h30, e morreu minutos depois na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS).

De acordo com a delegada Lúcia Jansem, titular da 11ª Delegacia (Tancredo Neves), o dono do estabelecimento, o professor de educação física Domingos Brito Lima Filho, e alguns funcionários relataram que a criança deve ter caído na piscina na hora do intervalo para o lanche. Eles só sentiram a falta do menino, momentos depois.

Victor passou por uma porta que fica ao lado da piscina e que, habitualmente, segundo relatos, fica fechada. A escola está em obras e a piscina não tem lona de proteção.

“Ninguém sabe o horário certo que a criança caiu. Quando viram, ele já estava lá. Chegamos à conclusão preliminar que foi negligência, a professora tomava conta de 25 crianças, com Victor”, declarou Jansem.

Ela ressaltou que, embora a escola tenha alvará de funcionamento, opera em condições precárias. “A obra é irregular, eles não têm alvará para fazer esta obra na área da piscina”, completou.

Desacordado e pálido

“Era quase umas 11h, ouvi um homem pedindo socorro. Quando saí, vi dois homens entrado em um táxi com uma criança no colo. Achei que ela estava doente, passando mal. Muito triste isso”, lembrou uma moradora da rua. Ela informou só conhecer os donos da escola de vista. “Eles não falam com ninguém”, disse.

Um vendedor ambulante que trabalha na porta da UPA contou que Victor chegou à unidade desacordado e colocando água pela boca. “Ele estava com os olhinhos fechados, todo pálido e ainda regurgitando água”, disse o rapaz.

Victor foi levado à UPA por dois professores. “A gente deixa o filho na escola e acha que está tudo bem. Aí recebe uma bomba dessa”, analisou outro ambulante.

Segundo a delegada Lúcia Jansem, Victor era natural de Irecê. “A família ia viajar amanhã para Morro do Chapéu para visitar familiares. Disseram que ele estava muito feliz”, revelou. O corpo dele deve ser enterrado em Morro do Chapéu.

Depoimento de professores

Além do proprietário da escola, alguns professores prestaram depoimento na tarde desta quinta. A delegada não informou quantos funcionários foram ouvidos, mas disse que aguarda o comparecimento da professora de Victor. Seis professores trabalham no local, que é coordenado por Domingos Brito desde 2016.

O perito criminal Henrique Figueredo, do Departamento de Polícia Técnica (DPT), afirmou não ter encontrado nenhuma evidência de violência contra a criança, mas identificou que a piscina possui cerca de 2 metros de largura, 6 metros de comprimento e 1 metro de profundidade.

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