Devo me vacinar contra a Febre Amarela?

Doença infecciosa, que pode matar quem for contaminado pelo vírus e não estiver imunizado, a Febre Amarela voltou a ser uma preocupação de Saúde pública no Brasil do século 21. É dentro deste contexto nacional que o Ministério da Saúde tem como meta imunizar 95% da população, em todo o país. A Bahia, a pedido da Secretaria da Saúde do Estado (SESAB) ao órgão federal, teve a sua área de recomendação à vacinação expandida de 45 municípios (todos do Extremo Oeste), em 2017, para 105, este ano, abrangendo todas as regiões, em especial as cidades próximas à fronteira de Minas Gerais, onde foram encontrados macacos contaminados. Esses primatas não são os transmissores da doença, e sim sentinelas da ocorrência da Febre Amarela.

Até o final de 2017, conforme dados da Secretaria da Saúde, dos 417 municípios baianos, 52,5% estão cobertos pela vacinação e dos 105 recomendados, 62%. Por ter um elevado contigente populacional com circulação viral de Febre Amarela (com epizootia em primatas não humanos e vetores infectados), a Região Metropolitana de Salvador (RMS) foi selecionada pela Secretaria da Saúde como a região que será contemplada pela campanha de vacinação, que acontece de 19 de fevereiro a 9 de março – sendo o 24 o Dia D de mobilização. Oito municípios foram selecionados: Salvador, Lauro de Freitas, Candeias, Camaçari, São Francisco do Conde, Mata de São João, Vera Cruz e Itaparica. Com duração de 15 dias, a campanha tem como meta vacinar, na Bahia, 2,5 milhões de pessoas com a dose fracionada e 813 mil com a dose padrão.

A adoção do fracionamento das vacinas, conforme o Ministério da Saúde, é uma medida preventiva que será implementada em áreas selecionadas para evitar a circulação e expansão da doença. Com a estratégia do fracionamento, uma dose que antes era aplicada em uma só pessoa será destinada para quatro. Mas crianças de nove meses a até dois anos, pessoas com condições clínicas específicas (como pacientes com HIV/Aids), gestantes (se houver indicação por escrita do médico) e viajantes internacionais (que necessite da emissão do certificado Internacional de Vacinação eProfilaxia – CIVP) vão continuar tomando a dose padrão. O público vacinado com a dose fracionada deverá retornar aos serviços de saúde após oito anos para receber uma dose de reforço.

A subcoordenadora de Imunizações e Vigilância Epidemiológica de Doenças Imunopreveníveis da SESAB, Vânia Broucke, ressalta a importância da mobilização dos cidadãos e o entendimento sobre a necessidade de estar com o seu cartão de vacina sempre atualizado e não somente correr para o Posto de Saúde quando acontece as epidemias. “O ideal é que tenhamos 100% de cobertura em todo o nosso Estado. A Bahia sempre disponibilizou vacina contra a Febre Amarela nos seus 417 municípios. Temos que garantir a vacinação rotineira das crianças para esta doença a partir de nove meses. As pessoas têm que atualizar os seus cartões de vacina. A busca pelo aumento da cobertura é contínua, mas, infelizmente, temos uma demanda pequena da população nos períodos em que não há surto”, avalia.

Parceria contra a Febre Amarela

Para acompanhar a situação da Febre Amarela na Bahia e outras arboviroses, a Secretaria da Saúde do Estado firmou parceria com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). O coordenador do Comitê de Arboviroses da SBI, Antônio Carlos Bandeira, um dos mais respeitados médicos infectologistas do país, tendo sido um dos responsáveis pelo isolamento do vírus da Zika no Brasil, em 2015, justifica a importância do trabalho conjunto visando impulsionar o controle de diversas doenças no Estado: “Temos que garantir a tranquilidade para a população”.

A transmissão da Febre Amarela acontece por meio da picada de insetos, especialmente os mosquitos do gênero Aedes Aegypti – os mesmos que transmitem Dengue, Chikungunya e Zika –, nos ambientes urbanos, e dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que são encontrados no ciclo silvestres. A vacina, de acordo com o Ministério da Saúde, é segura. Ela estimula a produção de uma reposta imune que constitui a defesa necessária contra a doença com detecção de anticorpos neutralizantes em 90% dos vacinados, já no 10º dia, e em mais de 99% após quatro semanas da vacinação.

Contraindicação

A vacina contra a Febre Amarela – que tem como sintomas dor de cabeça, febre baixa, fraqueza e vômitos, dores musculares e nas articulações – é contraindicada para pacientes em terapias imunossupressoras, como quimioterapia, e pessoas com doenças autoimunes; indivíduos com mais de 60 anos (pelo maior risco de eventos adversos graves nessa faixa etária, devem ser avaliados individualmente em relação aos riscos); pessoas com reação alérgica grave à proteína do ovo; transplantados; bebês com menos de nove meses; e mulheres em período de amamentação. A vacinação contra essa doença impede a doação de sangue por um período de quatro semanas e mulheres em idade fértil devem evitar gravidez por 30 dias após a vacinação.

Tire todas as suas dúvidas:

O que é Febre Amarela?

Doença infecciosa febril aguda, não contagiosa, provocada por um vírus transmitido por mosquitos vetores, e possui dois ciclos de transmissão: silvestre (quando há transmissão em área rural ou de floresta) e urbano.

Quais os sintomas que a doença causa?

Dor de cabeça, febre baixa, fraqueza e vômitos, dores musculares e nas articulações. Em sua fase mais grave, pode causar inflamação no fígado e nos rins e sangramentos, podendo levar à morte.

Como a febre amarela é transmitida?

A transmissão acontece por meio da picada de insetos, especialmente os mosquitos do gênero Aedes aegypti – os mesmos que transmitem Dengue, Chikungunya e Zika –, nos ambientes urbanos, e dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que são encontrados no ciclo silvestres.

Macacos podem transmitir febre amarela?

Não. Quem transmite a doença são os mosquitos. Os macacos também são alvos dos insetos, assim como os humanos. Mesmo infectados, esses primatas não são capazes de repassar a doença, mas servem de indicativo de alerta para a doença. A orientação da Sociedade Brasileira de Dengue/Arboviroses (SBD-A) é que a população não mate esses animais, já que o extermínio de primatas não interfere na continuidade do ciclo de transmissão do vírus.

A doença passa de pessoa para pessoa?

Não existe transmissão de pessoa a pessoa. A doença é sempre transmitida pelo mosquito contaminado.

A vacina é segura?

Sim. Ela estimula a produção de uma reposta imune que constitui a defesa necessária contra a Febre Amarela com detecção de anticorpos neutralizantes em 90% dos vacinados, já no 10º dia, e em mais de 99% após quatro semanas da vacinação.

Quem não pode tomar a vacina?

Contraindicada para idosos acima de 60 anos; crianças menores de seis meses; gestantes ou mulheres que estão tentando engravidar, mulheres que amamentam crianças de até seis meses; pacientes em tratamento de câncer; diabéticos que estejam, com altos níveis de açúcar no sangue; alérgicos a ovo (já que o vírus é cultivado na clara); e pessoas imunodeprimidas. Para estes grupos, a orientação é que a pessoa busque uma orientação médica para que avaliar benefício e o risco da vacinação, levando em conta a possibilidade de eventos adversos.

E quem deve tomar a vacina e que documentos deve levar?

Todas as pessoas não pertencentes aos grupos citados acima e que vivem em área de risco para a doença, conforme determinado pela Secretaria de Saúde de seu Estado, devem procurar postos de saúde para tomar a vacina. Pessoas que vão viajar para essas regiões também precisam se imunizar – nesse caso, a dose deve ser aplicada, no mínimo, dez dias antes da chegada. A orientação é que o usuário esteja portando o cartão SUS e a caderneta de vacinação.

Qual a diferença entre dose fracionada e dose padrão?

O Ministério da Saúde informa que a dose fracionada tem mostrado a mesma proteção que a dose padrão e que a única diferença está no volume: a dose padrão tem 0,5 ml, enquanto a dose fracionada tem 0,1 ml. É isso que faz com que o tempo de duração da proteção seja diferente. A dose padrão protege por toda a vida, enquanto a dose fracionada protege por, pelo menos, oito anos, segundo estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos/Fiocruz).

Quem já tomou a vacina contra a Febre Amarela deve se vacinar novamente?

Não. Uma dose já é o suficiente para proteger por toda a vida, mesmo quem tomou uma dose há mais de dez anos. O Ministério da Saúde esclarece que, desde abril de 2017, o Brasil adota o esquema vacinal de apenas uma dose durante toda a vida, medida que está de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS). Apenas crianças de 9 meses a 5 anos de idade que já receberam a dose devem receber o reforço após os 5 anos.

Qual é a chance, em porcentagem, de uma pessoa contaminada morrer?

A chance é muito elevada, se considerarmos as formas graves da doença, que pode chegar até 100%. Mas levando em conta que a Febre Amarela tem várias formas de apresentação clínica, esse índice se reduz a uns 10%. Nos últimos dez anos, a letalidade foi de 46%.

Quem toma a vacina pode ingerir, em seguida, qualquer medicamento, incluindo o controlado?

Não há nenhum problema de interação medicamentosa entre a vacina e outros medicamentos, qualquer que seja o medicamento.

Que tipo de reação a vacina pode provocar?

Pode haver reações no local da injeção, com febre e mal estar. Mas esses efeitos são raros.

Quais outras formas existem para evitar a febre amarela, além da vacina?

Uso de repelentes, mosquiteiros e roupas de mangas compridas são algumas maneiras eficazes para controlar a proliferação da febre amarela. Em relação aos repelentes, produtos contendo DEET, Icaridina ou IR3535 oferecem proteção contra picadas de mosquitos incluindo o Aedes aegypti, com eficácia e duração de ação variadas e indicações específicas.

Doadores de sangue devem esperar por quantos dias após a vacinação para o procedimento?

Por 30 dias, para evitar que o vírus vivo inoculado, circulante na corrente sanguínea do doador durante as três primeiras semanas após a vacinação, não acabe em um paciente que esteja com o sistema imunológico debilitado e cause reações adversas.

Pessoas que farão viagens internacionais, e não tomaram a vacina antecipadamente, podem ser impedidas?

Sim, se o país para onde a pessoa se dirige exige a vacinação. Nem todos exigem essa vacinação, mas se não está com a vacina em dia, corre o risco de não viajar. A publicação dos países que exigem a vacinação é feita anualmente na página da OMS e da ANVISA.

Fontes: Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Dengue/Arboviroses (SBD-A)

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