Pauta Livre – Por Rogaciano Medeiros

PÉSSIMO
O excessivo e descontrolado ativismo do Poder Judiciário tem colocado em xeque mate aquela concepção máxima de que “decisão judicial não se discute, se cumpre”. Ao se inserir na esfera política, como tem feito de forma até abusiva, nos dias de hoje, a Justiça no Brasil se iguala aos demais poderes e forças da República, sempre sujeitos a contestações e desobediências. Entra no jogo político. Isso é péssimo para a democracia.

NEGLIGÊNCIA

Assim como aconteceu nas duas denúncias da Procuradoria Geral da República contra Temer, o esforço para aprovação da reforma da Previdência transformou o Executivo e o Legislativo em um balcão de negociatas. Perderam de vez a compostura. Mesmo assim, o MPF, o STF e a PF, até pouco tempo atrás tão ativos e rigorosos contra Lula, Dilma e o PT, assistem a tudo na maior passividade. Omissão irresponsável.

COTAÇÃO

Até agora, a conversa mole do PSDB, que anuncia a saída da base governista mas permanece usufruindo das benesses oficiais, na prática só tem feito aumentar, e muito, o preço de cada voto dos parlamentares fisiológicos para aprovar a reforma da Previdência. A cotação estourou. E Temer, desesperado, está pagando para ver. Os bandidos com mandato estão “lavando a jega”, como se dizia antigamente.

PERSEGUIÇÃO

Pois é, enquanto o TRF4 (Tribunal Regional Federal) pisa fundo no acelerador para condenar Lula logo no início do próximo ano, a fim de tirá-lo da eleição presidencial, Temer torra o dinheiro público para aprovar a reforma da Previdência, que em nada beneficia o povo, e entrega o país às multinacionais. Escancarada e descaradamente. As instituições que deveriam zelar pela soberania nacional e a Constituição fingem nada ver.

MANDARINS

A força tarefa da Lava Jato sempre se considerou acima da lei, com poder ilimitado. Agora mesmo está comprovado que Dallagnol e companhia usaram parte do dinheiro proveniente de multa de acordo de leniência para gastos com a estrutura e melhorias do Ministério Público. A conduta é ilegal e tinha sido expressamente proibida pelo STF. Mas, para os mandarins de Curitiba, dane-se o Supremo. Eles são o Estado. E quem não gostar …

LIÇÃO

Tudo bem que é briga de golpistas. Mas, na queda de braço que mantém com Gilmar Mendes, o procurador federal Deltan Dallagnol perde todas. Agora, em um recado direto à força tarefa da Lava Jato, que defende um mundo despolitizado, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou: “Não podemos pensar em substituir os políticos por funcionários públicos, ainda que graduados como juízes ou promotores”.

Rogaciano Medeiros é Jornalista e editor da coluna Pauta Livre.

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