Feiras Literárias Brasileiras – Por Jamile Calheiros

A importância das feiras literárias brasileiras

O número de feiras literárias que vem ocorrendo nos quatro cantos do Brasil vem crescendo a cada ano. A Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), por exemplo, é certamente o evento literário mais conhecido do país hoje. E os números da FLIP são grandiosos, corroborando a sua popularidade. O pequeno município de Paraty, localizado no Rio de Janeiro, que tem uma população de cerca de 35 mil habitantes vê praticamente sua população dobrar em 5 dias de evento. A feira já faz parte do calendário dos leitores ávidos por poderem ver seus autores preferidos de perto e a cidade vira uma verdadeira “festa das letras”.

O calendário das feiras em todo o Brasil é extenso. Em alguns estados, as feiras literárias consolidaram-se como uma tradição como é o caso da Fliporto (Festa Literária Internacional de Pernambuco) que foi criada em 2004, inicialmente em Porto de Galinhas e atualmente acontece na cidade de Olinda. Outra feira literária de destaque é a Feira do Livro de Brasília, que acontece anualmente no mês de setembro, também apostou na conjunção festa literária e feira.

A região Sul, abriga uma das mais antigas feiras do país, que é considerada também a maior do gênero a céu aberto da América Latina. A Feira do Livro de Porto Alegre acontece desde 1955 e, este ano, chega à sua 63ª edição, de 1º a 19 de novembro.
Assim sendo, felizmente, outras cidades brasileiras têm seguido o mesmo caminho e promovido mais eventos dedicados à literatura, que atraem novos visitantes a cada ano e chamam a atenção da mídia envolvendo a população local. A economia e a geração de empregos temporários e renda da cidade aumenta nos períodos de festas desse tipo.

A Bahia, por sua vez, também vem se consolidando como cenário desses grandes acontecimentos literários. Assim como ocorre com o estado do Rio de Janeiro, a Bahia há algum tempo tem sido palco de festas cuja grande atração é, na verdade, a literatura. A mais nova delas é a Festa Literária do Pelourinho, a Flipelô, que em 2014 foi cancelada por falta de recursos.
Realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado, que este ano completa 30 anos, a Flipelô ultrapassou os limites do famoso casarão do Largo do Pelourinho e levou ao público debates com escritores, lançamentos de livros, saraus, teatro além de música para ruas e outros espaços culturais do Centro Histórico de Salvador nos últimos dias 9 e 13 de agosto.

Dessa forma, a Flipelô chega para fortalecer um cenário de explosão de festas e feiras literárias em toda a Bahia. Outras cidades baianas que também abrigam importantes e já estabelecidos eventos literários são Salvador, Itabuna, Barreiras, Cachoeira e Mucugê.
A Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica) é a mais famosa e foi à pioneira do formato no estado e é hoje reconhecida como um dos maiores eventos literários do país. Entre os dias 05 a 08 de outubro será realizada a sua sétima edição.

A Feira Literária de Mucugê (Fligê) na região da Chapada Diamantina também tem um evento para chamar de seu e pretendeu movimentar a badalada região. A segunda edição que ocorreu nos últimos dias 10 a 13 de agosto foi considerada um sucesso de público e neste ano homenageou o festejado escritor Euclides da Cunha autor de Os Sertões.
Apesar de toda essa pujança das festas literárias Brasil afora e que vem despontando e se destacando na Bahia, a professora de Literatura

Suzana Vargas no texto publicado em 04 de abril de 2016 (O que se festeja nas festas literárias?) sugere que os eventos ajudam a popularizar os livros, mas infelizmente não formam leitores.

Isto posto, conforme afirma a autora no mesmo texto, apesar da importância e popularização de eventos como este, são necessárias outras intervenções do poder público para envolver a população no incentivo a leitura. Por conseguinte é preciso investir na escola, na formação dos professores para que este seja o verdadeiro local de valorização e incentivo a leitura.

 

Jamile Calheiros , é advogada e Internaconalista.

Especialista em Direito Público pela Unibahia e Política e Planejamento Estratégico pela Escola Superior de Guerra/ UNEB.

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