Pauta Livre – Rogaciano Medeiros

CHEFÃO

A nova denúncia contra Temer, em fase de conclusão na Procuradoria Geral da República, o coloca como chefe de quadrilha. O procurador Rodrigo Janot promete apresentá-la até o final do mês. As acusações, bem mais graves, estão amparadas em provas consistentes e se baseiam nas delações do ex-presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na Lava Jato. Será dificílimo para ele escapar.

COMPRADOS

Entre as provas à disposição da Procuradoria Geral da República e do Supremo Tribunal Federal, que amparam a nova denúncia contra Temer, consta uma relação feita por Eduardo Cunha, com os nomes de todos os parlamentares comprados para votar pelo impeachment. São informações detalhadas como quanto cada um recebeu de dinheiro, como, quando e quem pagou. Uma bomba.

RESTABELECIMENTO

Diante da confirmação da notícia de que o STF e a PGR têm uma lista com os nomes de todos os parlamentares comprados para apoiar o golpe jurídico-parlamentar-midiático, o ex-ministro Ciro Gomes quer que o Supremo Tribunal Federal anule o impeachment. Argumenta que a corte máxima tem provas e poder e para restabelecer a democracia no Brasil.

ESTOURADA

Engana-se quem pensa que a salvação de Temer vai custar apenas R$ 13 bilhões, como se imagina. A despesa é muito maior. Agora mesmo a Receita Federal acaba de confirmar que passa dos R$ 10 bilhões o perdão das dívidas do agronegócio. É o pagamento pelos votos da bancada ruralista. O dinheiro será retirado da Previdência, alvo de uma reforma que praticamente acaba com a aposentadoria de milhões de brasileiros.

BANDIDOS

Bem atual a declaração do escritor português Miguel Sousa Tavares, em abril do ano passado, quando, em uma manobra do então presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a Câmara Federal aceitou o pedido de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. “Assembleia de bandidos, presidida por um bandido”. A história se repetiu nesta quarta-feira, com a salvação de Temer.

SENZALA

Excelente a ironia do jornalista Alex Solnik, ao comparar a salvação de Temer, nesta quarta-feira, com o impeachment de Dilma, ano passado, e a condenação de Lula pelo juiz Sérgio Moro. Em um texto refinado, afirma que a casa grande tem o direito de roubar, mas as senzala, nem pensar. “Pena que Gilberto Freyre não esteja mais aqui entre nós”, diz ele, invocando o clássico do escritor pernambucano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *