Pauta Livre – Rogaciano Medeiros

INADEQUADO

A escandalosa parcialidade da Lava Jato e o ódio dos integrantes da força tarefa contra Lula ficam evidentes nos mínimos e grandes detalhes. No depoimento de quarta-feira, em Curitiba (PR), o procurador federal Roberson Pozzobon começou chamando o depoente de “senhor Luiz Inácio”. Claro, foi advertido pelos advogados de que não era a maneira judiciosa para tratar um ex-presidente da República. Teve de se enquadrar.

 

ANOMALIA

Para os advogados de defesa José Roberto Batochio, Cristiano Zanin e Valeska Teixeira, o depoimento de Lula na Lava Jato serviu para reafirmar a “anomalia e a patologia processual” que caracterizam o processo contra o ex-presidente. Eles se queixam de o juiz Sérgio Moro ter adotado uma postura claramente política.

ESTRELISMO

Um dos pontos que o advogado Cristiano Zanin tanto destaca para demonstrar o perigoso caminho que a Lava Jato tem tomado é o estrelismo do juiz Sérgio Moro e a estreita ligação com a Globo. “Em uma democracia, juízes não são personalidades”. Ele insiste nas denúncias de abuso de poder. “Você não está diante de um processo jurídico, mas contra o Estado Democrático de Direito”.

DESONRA

A imagem de salvador da pátria do juiz Sérgio Moro, até pouco tempo intocável, entra em queda livre. Os abusos de poder têm contribuído para a desconstrução, em particular nos meios jurídicos. Agora é o professor Afrânio Silva, da UERJ, tido como um dos maiores processualistas do Brasil, quem rejeita o comandante da Lava Jato. Já apoiou a operação e agora chega ao ponto de mandar retirar um artigo de Moro em livro que o homenageia.

PRÉ-SAL

O golpe, cujo lance mais ousado até agora foi o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em agosto do ano passado, na real começou em 2007, no primeiro governo Lula, com as descobertas das vastas reservas de petróleo na camada do pré-sal. A opinião é do professor de História Fernando Horta, da UnB (Universidade de Brasília).

REMÉDIO

Para quem não integra as classes dominantes e apoiou o golpe, agora recebe uma porrada atrás da outra. Como se não bastassem a terceirização, as reformas trabalhista e da Previdência, a redução do Prouni, agora o governo Temer acaba de vez com o programa Farmácia Popular, criado por Lula. A decisão atinge em cheio milhões de pessoas pobres que recebiam, gratuitamente, remédios para controle de hipertensão, diabetes, asma, doenças nefróticas, distúrbios de natureza psiquiátrica e outras patologias.

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