PAUTA LIVRE – Rogaciano Medeiros

RAIZ

Em 1964, as reformas de base do governo João Goulart, fruto das reivindicações populares, serviram de pretexto para a ditadura civil militar, que durou 21 anos. Em 2016, o golpe jurídico-parlamentar-midiático, que depôs a presidenta Dilma Rousseff e guindou ao poder Michel Temer, produziu as reformas neoliberais que tantos males provocam às camadas mais necessitadas da população, ao povo. Pois é, a raiz dos dois fatos históricos é a mesma.

 

CORRUPÇÃO

Ao longo da história do Brasil, sempre que um projeto de poder se aproximou do povo, por mais minimamente que tenha se aproximado, as elites recorreram ao argumento do combate à corrupção para destruí-lo. É só conferir. Foi assim com Getúlio Vargas, morto em 1954, com João Goulart, deposto em 1964, e agora com Dilma Rousseff, em 2016. A direita sabe perfeitamente como tirar proveito do tema combate à corrupção, que tanto fascina as classes médias e as cabeças conservadoras.

 

OPORTUNIDADE

Está confirmado para o dia 10, quarta-feira da próxima semana, o depoimento de Lula ao juiz Sérgio Moro. O ex-presidente diz que aguarda com confiança o momento de estar frente a frente com os acusadores. “Há três anos eles me acusam e não provam nada. Para mim, será uma grande oportunidade”. Realmente, no Estado de direito o ônus da prova cabe ao acusador.

 

DESAFIO

Lula propõe, para evitar vazamentos seletivos, que o depoimento a ser prestado ao juiz Sérgio Moro, dia 10, em Curitiba (PR), seja aberto à toda imprensa. Na real, lançou um desafio à Lava Jato, acusada de beneficiar certos veículos de comunicação com informações privilegiadas. Constantemente.

 

 DESVIRTUAMENTO

Na excelente entrevista que concedeu ao jornalista Kenedy Alencar, no SBT, o ex-presidente Lula condena os constantes vazamentos seletivos na Lava Jato. “A mídia sempre sabe primeiro do que os advogados de defesa”.  Sem dúvida, um desvirtuamento no bom andamento do processo.

 

CANDIDATÍSSIMO

Lula confirmou que é candidato em 2018 e disse que deseja concorrer com uma candidatura apoiada pelo sistema financeiro e a Rede Globo. Garantiu, se eleito, fazer com que o BB, Caixa, BNB e BNDES voltem a ser bancos públicos.

Rogaciano Medeiros é jornalista, ex-secretário de comunicação de Camaçari e escreve diariamente para o RecôncavoOnline.

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