O ex-governador Sérgio Cabral usava os helicópteros do governo para levar amigos, familiares e até o cachorrinho para a casa de praia

Desde Pedro Alvares Cabral, só um outro Cabral viajou tanto no Brasil. Trata-se do ex-governador do Rio, Sérgio Cabral. No período em que foi governador, de 2007 a 2014, Cabral usava os helicópteros do governo fluminense para levar parentes, amigos e até o cachorrinho para a casa de veraneio que ele possui no condomínio Portobello, em Mangaratiba. Nesse período, os helicópteros do governo fizeram 1500 voos entre o Palácio do Governo e a casa de praia do governador. Teve dia, em que o helicóptero viajou de manhã para levar a mulher Adriana Ancelmo com os filhos, retornando ao Rio, e no final da tarde fez nova viagem para levar Cabral à casa de praia. Só em 2011, quando a frequência foi maior, foram registradas 241 aterrissagens no heliponto da casa de Cabral.

Em depoimento prestado à juíza Luciana Losada Albuquerque Lopes, da 8ª Vara de Fazenda Pública, na última terça-feira 21, por videoconferência do Presídio de Bangu 8, onde está preso, Cabral admitiu que fez uso particular dos helicópteros para as idas e vindas de Mangaratiba, mas disse que a justificativa para isso eram as orientações dadas pelo Gabinete Militar quanto à sua segurança. Ele alegou que recebia várias ameaças de morte e por isso os encarregados da sua segurança recomendavam que ele se deslocasse de helicóptero. Cabral é réu em ação civil pública movida contra ele pelo procurador aposentado Cosmo Ferreira, por conta dos voos irregulares. Se for condenado, Cabral terá que devolver o dinheiro gasto.

Lavagem de dinheiro

Cabral já era réu em quatro ações penais por 843 crimes cometidos no período em que foi governador, mas no início da noite de terça-feira, 21, tornou-se réu pela quinta vez, por 611 atos de lavagem de dinheiro. A denúncia, feita pelo Ministério Público Federal como decorrência da Operação Mascate, deflagrada pela PF em janeiro, foi aceita pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio. De acordo com a denúncia, o grupo comandado por Cabral ocultou R$ 10,1 milhões em transações feitas com carros de luxo, imóveis e transferências bancárias de uma empresa de fachada de Carlos Miranda, o operador financeiro de Cabral. Miranda usava a empresa Gralc, depois transformada em LRG Agropecuária, para os negócios escusos de Cabral.
Segundo o MPF, o dinheiro de propina arrecadado por Miranda junto a executivos da Andrade Gutierrrez era entregue para Ary da Costa Filho, também integrante do esquema de Cabral. Aryzinho, como era conhecido, repassava o dinheiro para as concessionárias de automóveis Américas Barra e Eurobarra. Essas concessionárias, então, faziam pagamentos fictícios de consultoria à LRG Agropecuária, que voltava “lavado” para o grupo do ex-governador. Esse esquema foi relatado ao MPF por Adriano José Reis Martins, sócio das concessionárias em acordo de delação premiada. Aryzinho entregava o dinheiro nas concessionárias em mochilas. Apenas de 2010 a 2014, ele entregou R$ 8,8 milhões para serem “lavados” nas concessionárias de carros.

 

 

Istoé

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